Finanças
Colômbia adia ajuste fiscal e aprova alta de 16% do Orçamento para 2027
Aval ao plano de Espriella ocorre dois meses após ele tomar posse, com um discurso de austeridade.
Parlamentares colombianos aprovaram na madrugada desta terça-feira um aumento de 16% no Orçamento, ampliando as preocupações dos investidores com o crescente endividamento do país. A proposta do governo, de 635 trilhões de pesos (US$ 201 bilhões) para 2027, recebeu aval tanto da Câmara dos Representantes como do Senado.
O presidente de direita, Abelardo de la Espriella, tomou posse em agosto com um discurso de que faria um ajuste fiscal, mas seu governo afirma que o aumento do orçamento é necessário para cobrir gastos com saúde, previdência e pagamento de juros acima do esperado. Em paralelo, Espriella negocia ajuda com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Os parlamentares mantiveram os gastos totais no mesmo nível proposto pelo governo, mas realocaram 8,4 trilhões de pesos do serviço da dívida para investimentos e ações de resposta ao terremoto que atingiu o oeste da Colômbia há dois meses.
O desvio na direção da política econômica em tão pouco tempo desde a posse preocupa investidores, que já veem sinais de desgaste em vários países latino-americanos onde partidos conservadores foram vitoriosos nas urnas. Líderes eleitos no Chile, no Peru e mesmo na Argentina têm perdido popularidade após adoção de medidas de ajuste.
E onde as medidas ainda não foram implementadas, a lua de mel com o mercado parece estar se enfraquecendo. Os rendimentos dos títulos da dívida colombiana dispararam desde que o governo apresentou seu plano de gastos, em agosto.
Nigel Chalk, diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmou na semana passada que a situação fiscal do país era “insustentável”.
A Colômbia receberá em novembro, em Bogotá, uma missão técnica do FMI para dar continuidade às conversas preliminares sobre apoio aos esforços de estabilização fiscal do país.
— Este é o primeiro passo para começar a recuperar a estabilidade da nossa economia — afirmou o ministro da Fazenda, Miguel Gómez, após a aprovação do projeto orçamentário pela Câmara dos Representantes. — E para gerar crescimento e prosperidade, como esperamos que aconteça nos próximos anos.
A atenção agora se voltará para a capacidade do governo de Espriella, um advogado outsider do mundo político, para obter aprovação do Congresso para um plano de ajuste fiscal equivalente a mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB).
Sem medidas corretivas, o déficit poderá superar 9% do PIB no próximo ano, segundo as próprias projeções do governo.
Mais lidas
-
1COMPORTAMENTO
Apartamento, jatinhos e festa: O que o caso Yasmin Brunet e Vorcaro revela sobre a dinâmica dos relacionamentos sugar
-
2CORREGEDORIA
CNJ convoca desembargador Fábio Ferrario para auxiliar em inspeção no TJ de Roraima
-
3A CONTA NÃO FECHA
Pastor em Delmiro, salário em Maceió: folha aponta jornada de 40 horas a 290 km de distância na prefeitura de JHC/Cunha
-
4SEGURANÇA PÚBLICA
Homem apontado como integrante de 'Equipe Caos' do CV no Morro do Fubá morre em confronto com PMs
-
5EXTREMISTA EXALTADO
Panelaço contra Flávio em Maceió termina com porteiro que participava do ato com moradores e vizinhos levado pela polícia; morador denunciou intimidação bolsonarista