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AliExpress fecha parceria com YouTube para ampliar vendas a partir de vídeos

Novidade chega hoje à plataforma no Brasil. Criadores de conteúdo recomendam produtos nos vídeos do YouTube, e compra pode ser finalizada pelo AliExpress.

Agência O Globo - 20/10/2026
AliExpress fecha parceria com YouTube para ampliar vendas a partir de vídeos
AliExpress fecha parceria com YouTube para ampliar vendas a partir de vídeos - Foto: Reprodução/internet

O AliExpress fechou uma parceria global com o YouTube para permitir que criadores de conteúdo recomendem produtos de seu marketplace e recebam comissões por vendas. A iniciativa começou em março na Coreia do Sul e vai estar disponível no Brasil a partir desta terça-feira (dia 20).

Criadores poderão marcar produtos em vídeos, shorts e transmissões ao vivo diretamente pelo YouTube Studio. Ao clicar na recomendação dentro do YouTube, os espectadores poderão acessar os itens recomendados e finalizar a compra no AliExpress.

A seleção inclui categorias como eletrônicos, esportes e produtos para casa. No Brasil, a participação será aberta a criadores que cumpram os requisitos do Programa de Afiliados do YouTube Shopping. O diferencial é a integração entre conteúdo e compra.

Em vez de o criador apenas exibir uma peça publicitária, o formato permite que ele marque produtos no próprio conteúdo e receba comissão pelo YouTube através do AdSense (plataforma gratuita do Google que permite a criadores de conteúdo, blogueiros e donos de sites ou canais do YouTube monetizarem suas páginas ao exibir anúncios de empresas) por vendas qualificadas geradas pelas recomendações.

Segundo Roberto Wajnsztok, sócio-diretor da Gouvêa Consulting, essa tendência de consumo atrelada ao consumo de vídeos está crescendo no mercado. Isso se dá devido principalmente ao protagonismo que o audiovisual ganhou.

— Os criadores de conteúdo foram desenvolvendo técnicas para melhorar a exposição e a qualidade desses vídeos, tornando-os mais assertivos na forma como se apresentam, nos assuntos que abordam e na identificação do que gera resultados e do que não funciona. Produzir vídeos nunca foi tão fácil e, logicamente, eles convertem muito mais do que imagens estáticas — analisa Wajnsztok.

Nos anos anteriores o consumidor costumava entrar em um site, procurar um produto e encontrar uma foto acompanhada de um texto. Essa experiência foi substituída por uma experiência em vídeo, na qual são destacados os principais atributos do produto e seus diferenciais. Para produtos que não demandam muita explicação, esse formato se encaixa perfeitamente.

Os vídeos curtos conseguem apresentar o produto rapidamente e, quando as informações relevantes já foram transmitidas, o consumidor não precisa passar por tantas etapas até a compra. O crescimento do TikTok Shop está muito relacionado ao consumo de vídeos, que atingiu um patamar muito elevado.

Diferentemente do TikTok, que desenvolveu um modelo próprio de vendas dentro da plataforma, o Google (que controla o YouTube) não atua diretamente como marketplace. Assim, a parceria entre AliExpress e YouTube busca aproximar os vídeos dos produtos à venda, facilitando o caminho entre o conteúdo e a decisão de compra do consumidor.

De acordo com Wajnsztok, o perfil dos vídeos do YouTube é diferente. Embora exista o formato shorts (vídeos curtos), o formato convencional, que tem vídeos mais longos e explicativos, continua sendo relevante. Nesse caso, o consumidor pode assistir a uma apresentação detalhada, até mesmo bastante técnica, sobre o produto e, a partir dessa análise, acessar diretamente o link de compra.

– A expectativa é que os produtos comercializados nessa parceria entre AliExpress e YouTube tenham um perfil diferente, possivelmente com maior valor agregado e que demandem mais explicações. Não se trata necessariamente daquele consumo de conteúdo tão rápido — explica.

Um vídeo curto, construído para atender a uma necessidade que surge rapidamente na mente do consumidor, tende a gerar uma conversão mais rápida. Já nos vídeos longos, pode ser compensado por uma venda mais racional e consistente, com um ticket médio maior.

– O consumidor brasileiro é bastante receptivo a novas experiências de compra, e não vejo nessa iniciativa algo muito diferente daquilo que ele já experimenta atualmente. O perfil dos produtos e o tempo de compra são diferentes. Não podemos esperar o mesmo nível de conversão observado hoje no TikTok Shop, muito menos o mesmo perfil de produtos — observa.