Finanças

Como está a economia na Argentina?

Veja os principais indicadores sob o governo Javier Milei

Agência O Globo - 19/10/2026
Como está a economia na Argentina?
Foto: © Divulgação / Presidência da Argentina

A economia da Argentina tem sido um tema frequente nas discussões políticas, como demonstrou o debate entre os candidatos à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite de domingo (18) na TV Bandeirantes. Este foi o primeiro debate presidencial do segundo turno das eleições, marcado para o próximo domingo (25).

No debate, Lula questionou Flávio sobre sua relação com o presidente argentino, Javier Milei, indagando se o candidato do PL planejaria replicar no Brasil a política econômica de seu homônimo.

Durante a campanha, Daniella Marques, coordenadora econômica de Bolsonaro, mencionou frequentemente o governo de Milei como modelo para implementar medidas como a redução de impostos e desburocratização.

Os principais indicadores econômicos da Argentina mostram que, embora a inflação esteja controlada, o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma dos bens e serviços produzidos, apresenta um crescimento modesto, além de um aumento no desemprego e na pobreza.

A inflação mensal na Argentina foi inferior a 2% em agosto e setembro, em comparação aos meses anteriores. No acumulado de 12 meses, foi registrada em 33,4%, conforme dados do governo argentino. Apesar de ser um patamar alto em relação ao Brasil, está muito distante do recorde de 290% alcançado em 2024.

Javier Milei assumiu a presidência em dezembro de 2023, prometendo reduzir a inflação, realizar cortes significativos nos gastos públicos e implementar um programa de privatizações.

A redução da inflação foi inicialmente acompanhada pela diminuição da pobreza, que havia chegado a 52,9% em 2024. No entanto, em 2026, essa tendência perdeu força, com a proporção de argentinos vivendo abaixo da linha da pobreza subindo de 28,2% no segundo semestre de 2025 para 32,3% no primeiro semestre deste ano. As medidas adotadas para conter a inflação, como a valorização da taxa de câmbio, a política monetária restritiva e a austeridade fiscal, trouxeram resultados, mas comprometem o crescimento econômico.

No segundo trimestre, a economia argentina registrou uma retração de 0,6%, e economistas preveem uma nova queda no terceiro trimestre, o que caracterizaria uma recessão técnica. A projeção é que o país experimente um crescimento econômico de apenas 1,5% em 2026, cerca da metade da expectativa inicial do mercado.

Dados do Indec, que abrange 31 aglomerados urbanos, revelam que 9,7 milhões de pessoas vivem na pobreza, marcando a primeira alta desse indicador em dois anos.

A extrema pobreza também aumentou, subindo de 1,9 milhão (6,3% da população pesquisada) para 2,2 milhões, ou 7,5%.

Pelo critério do Indec, são consideradas indigentes as pessoas cuja renda é insuficiente para adquirir uma cesta básica de alimentos.

O mercado de trabalho enfrenta desafios, com a taxa de desemprego alcançando 7,9% no segundo trimestre de 2026, em comparação a 7,6% no mesmo período de 2025. Estima-se que aproximadamente 1,8 milhão de argentinos estejam desempregados. Além disso, quase metade da população economicamente ativa é composta por trabalhadores informais, sem vínculos formais de emprego.

Esse cenário impacta o consumo, que está mais tímido. Com uma menor quantidade de consumidores, muitas empresas enfrentam dificuldades financeiras e algumas fecharam as portas, ainda enfrentando concorrência acirrada das importações.

Conforme o Centro de Economia Política Argentina (Cepa), as importações de bens de consumo aumentaram 34,7% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2023, enquanto a produção industrial argentina caiu 12%. Dados da União Industrial Argentina e da Confederação Argentina da Média Empresa também indicam que custos elevados e o endividamento familiar têm limitado o consumo e o desempenho das empresas locais.