Finanças
Como está a economia na Argentina?
Veja os principais indicadores sob o governo Javier Milei
A economia da Argentina foi tema do debate entre os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite deste domingo na TV Bandeirantes. Foi o primeiro debate presidencial para o segundo turno das eleições, a ser realizado no próximo 25 de outubro.
Ao questionar Flávio sobre sua proximidade com o presidente argentino, Javier Milei, Lula perguntou se o adversário pretendia reproduzir no Brasil a política econômica adotada pelo vizinho.
Durante a campanha eleitoral do candidato do PL, Daniella Marques, sua coordenadora econômica, apontou mais de uma vez o governo de Milei como inspiração para medidas como redução de impostos e de burocracia.
Os indicadores econômicos revelam que a inflação está sob controle, mas o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos) tem crescido pouco e o desemprego e a pobreza aumentaram no país.
A inflação mensal na Argentina ficou abaixo de 2% em setembro e agosto na comparação com os meses imediatamente anteriores. No acumulado de 12 meses, ela está em 33,4%, segundo dados do governo argentino. Um patamar altíssimo se comparado ao Brasil, mas muito abaixo do pico de 290% registrados no país em 2024.
Milei assumiu o poder em dezembro de 2023 com a bandeira de reduzir a inflação, fazer um amplo corte de gastos públicos e implementar um programa de privatizações.
Para conter a alta de preços, adotou medidas como taxa de câmbio mais valorizada, política monetária restritiva e austeridade fiscal. Elas surtiram efeito sobre a escalada inflacionária, mas prejudicam o crescimento econômico.
A economia argentina recuou 0,6% no segundo trimestre, e economistas projetam nova queda no terceiro trimestre, o que caracterizaria uma recessão técnica. A expectativa é que a Argentina registre crescimento econômico de 1,5% em 2026, cerca de metade do percentual projetado pelos investidores no início do ano.
A redução da inflação foi inicialmente acompanhada de uma queda da pobreza, que havia atingido 52,9% em 2024. Em 2026, porém, essa melhora perdeu força. A proporção de argentinos abaixo da linha da pobreza passou de 28,2% no segundo semestre de 2025 para 32,3% no primeiro semestre deste ano.
O levantamento do Indec abrange 31 aglomerados urbanos e indica que 9,7 milhões de pessoas viviam na pobreza. Foi a primeira alta do indicador em dois anos.
A extrema pobreza também aumentou. O número de pessoas nessa situação passou de 1,9 milhão, equivalente a 6,3% da população pesquisada, para 2,2 milhões, ou 7,5%.
Pelo critério do Indec, são consideradas indigentes as pessoas cuja renda não é suficiente para comprar uma cesta de alimentos capaz de suprir as necessidades diárias de energia e proteína.
O mercado de trabalho também está piorando. A taxa de desemprego chegou a 7,9% no segundo trimestre de 2026, ante 7,6% no mesmo período de 2025, segundo o Indec.
A estimativa é que aproximadamente 1,8 milhão de argentinos estejam desempregados. Além disso, quase metade da população economicamente ativa trabalha na informalidade, sem vínculo formal de emprego.
Esse cenário contribui para um consumo mais tímido. Com menos gente para comprar, as empresas enfrentam dificuldades e muitas fecharam as portas. Elas também estão sofrendo com a concorrência das importações.
Segundo o Centro de Economia Política Argentina (Cepa), as compras externas de bens de consumo cresceram 34,7% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2023. No mesmo intervalo, a produção industrial argentina caiu 12%.
Dados da União Industrial Argentina e da Confederação Argentina da Média Empresa também indicam que os altos custos e o endividamento das famílias têm limitado o consumo e o desempenho das empresas locais.
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