Finanças

Quase metade das meninas de 5 a 17 anos no Brasil faz tarefas domésticas ou cuida de pessoas sem remuneração

Dados da Pnad Contínua revelam disparidade entre gêneros

Agência O Globo - 16/10/2026
Quase metade das meninas de 5 a 17 anos no Brasil faz tarefas domésticas ou cuida de pessoas sem remuneração
Quase metade das meninas de 5 a 17 anos no Brasil faz tarefas domésticas ou cuida de pessoas sem remuneração - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Quase metade das meninas de 5 a 17 anos no Brasil realizava tarefas domésticas ou cuidava de pessoas sem remuneração em 2025. Essas atividades faziam parte da rotina de 47,9% delas, enquanto entre os meninos da mesma faixa etária o percentual era de 36,6%. Os dados são da pesquisa Pnad Contínua: Trabalho de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos (2025), divulgada nesta sexta-feira pelo IBGE.

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Ao todo, 15,9 milhões de crianças e adolescentes realizavam trabalho doméstico não remunerado e/ou cuidados de pessoas, o equivalente a 42,1% da população de 5 a 17 anos. A pesquisa considera atividades feitas no próprio domicílio ou para parentes que moravam em outra residência. Não necessariamente essas pessoas se enquadram na categoria de trabalho infantil.

Em 2025, o IBGE reformulou as perguntas sobre essas tarefas, com mudanças nos itens pesquisados e na forma de registrar as horas dedicadas a elas. Por isso, os resultados não são diretamente comparáveis aos dos anos anteriores, e não é possível apontar uma alta ou queda a partir dessa comparação.

Participação aumenta com a idade

As tarefas domésticas e de cuidado eram mais frequentes entre os adolescentes de 16 e 17 anos: 64,6% realizavam essas atividades. Entre aqueles de 14 e 15 anos, a proporção era de 60,7%. No grupo de 5 a 13 anos, chegava a 32,7%.

O levantamento inclui tarefas como preparar ou servir alimentos, lavar louça, limpar a casa, lavar e guardar roupas, fazer compras e cuidar de animais domésticos. Já o cuidado de pessoas abrange atividades como alimentar, dar banho ou remédio, ajudar em tarefas escolares e acompanhar em deslocamentos para a escola, consultas médicas ou atividades de lazer.

Essas informações são apresentadas separadamente dos indicadores de trabalho infantil. A realização de uma tarefa doméstica ou de cuidado, por si só, não significa que a criança ou o adolescente tenha sido classificado nessa condição.

Pela legislação brasileira, trabalho infantil é proibido. Enquadra-se nessa situação toda forma de trabalho feita por crianças e adolescentes que seja prejudicial à sua saúde e educação. Mas há regras específicas para cada faixa etária:

  • Até 13 anos é proibido trabalhar em qualquer atividade;
  • de 14 a 15 anos, os adolescentes podem trabalhar como aprendiz. Isso não é considerado trabalho infantil;
  • de 16 e 17 anos, é permitido o trabalho apenas com carteira assinada, sendo proibidas atividades irregulares, perigosas e em horário noturno. Isso também não é trabalho infantil.

Há ainda o critério de afazeres domésticos, como arrumar a casa, fazer comida ou lavar louça para si ou para a própria família. Se isso não prejudicar a saúde e a educação do menor, não é considerado trabalho infantil, e sim trabalho doméstico não remunerado, o que é permitido.

Tarefas se somam ao trabalho

Entre as crianças e adolescentes que exerciam atividades econômicas, 65,1% também faziam tarefas domésticas ou cuidavam de pessoas sem remuneração. Entre os que não exerciam atividades econômicas, a proporção era de 41,2%.

A diferença era maior no grupo de 5 a 13 anos. Das crianças dessa idade que realizavam atividades econômicas, 74,3% também faziam tarefas domésticas ou de cuidado. Entre aquelas que não exerciam atividades econômicas, eram 32,5%.

Considerando especificamente as crianças e adolescentes classificados em situação de trabalho infantil, 67,9% também realizavam tarefas domésticas ou cuidavam de pessoas sem remuneração.

14 horas semanais dedicadas a tarefas domésticas

Do total de crianças e adolescentes que faziam tarefas domésticas ou de cuidado, 86,5% dedicavam até 14 horas semanais a elas. Outros 8,4% gastavam de 15 a 24 horas por semana.

Entre os mais novos, de 5 a 13 anos, 93,2% dedicavam até 14 horas semanais a essas atividades. A proporção era de 80,5% no grupo de 14 e 15 anos e de 77,5% entre os adolescentes de 16 e 17 anos.

Já as jornadas de 15 a 24 horas semanais correspondiam a 4,5% entre os mais novos, 12,1% no grupo de 14 e 15 anos e 13,3% entre aqueles de 16 e 17 anos.