Finanças

Recuo no trabalho infantil é concentrado em lares que recebem Bolsa Família

Número de crianças e adolescentes trabalhando nos domicílios beneficiados diminuiu em 144 mil. Número responde por 95% do total dos que deixaram de trabalhar

Agência O Globo - 16/10/2026
Recuo no trabalho infantil é concentrado em lares que recebem Bolsa Família
Recuo no trabalho infantil é concentrado em lares que recebem Bolsa Família - Foto: Reprodução

A queda do trabalho infantil no Brasil em 2025 ficou concentrada entre crianças e adolescentes de famílias que recebiam Bolsa Família. O número de pessoas de 5 a 17 anos nessa situação nos domicílios beneficiados diminuiu em 144 mil.

No Brasil em geral, o número de crianças e adolescentes em trabalho infantil diminuiu em 151 mil entre 2024 e 2025. Ou seja, a redução entre os beneficiários do Bolsa Família respondeu por 95% do total.

Os dados são da pesquisa Pnad Contínua: Trabalho de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos (2025), divulgada nesta sexta pelo IBGE.

Pela legislação brasileira, trabalho infantil é proibido. Enquadra-se nessa situação toda forma de trabalho feita por crianças e adolescentes que é prejudicial à sua saúde e educação. Mas há regras específicas para cada faixa etária:

Abaixo de 13 anos é proibido trabalhar em qualquer atividade;

De 14 a 15 anos, os adolescentes podem trabalhar como aprendiz. Isso não é considerado trabalho infantil;

De 16 a 17 anos, é permitido o trabalho apenas com carteira assinada, sendo proibidas atividades irregulares, perigosas e em horário noturno. Isso também não é trabalho infantil.

Nos lares com Bolsa Família, o contingente em trabalho infantil passou de 717 mil em 2024 para 573 mil em 2025, uma queda de 20,1%. No conjunto do país, a redução foi de 9,2%, para 1,499 milhão de crianças e adolescentes.

Para o analista da pesquisa Gustavo Geaquinto Fontes, o Bolsa Família pode ter ajudado a reduzir o trabalho infantil tanto pela garantia de uma renda mínima às famílias quanto pelas exigências para a permanência no programa, como a frequência escolar.

— A gente sabe que o Bolsa Família tem condicionalidades, por exemplo, em relação à frequência escolar, que pode ser um fator que contribui para essa queda importante, entre outras políticas públicas.

A frequência escolar era um pouco maior entre os trabalhadores infantis de famílias que recebiam o programa: 89,8% eram estudantes, ante 86,9% no total de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil.

Diferença em relação à média nacional diminui

Em 2025, 13,1 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos viviam em domicílios com renda do Bolsa Família, o equivalente a 34,7% da população dessa faixa etária. Entre eles, 4,4% estavam em situação de trabalho infantil, percentual ainda acima dos 4,0% observados no conjunto da população da mesma idade.

Essa diferença vem diminuindo nos últimos anos. Em 2016, 7,3% das crianças e adolescentes de domicílios beneficiados estavam em trabalho infantil, ante 5,2% no total da população de 5 a 17 anos. A distância entre os indicadores passou, assim, de 2,1 pontos percentuais para 0,4 ponto em 2025.

Desde 2016, o número de crianças e adolescentes em trabalho infantil nas famílias que recebiam o benefício caiu 41%, de 971 mil para 573 mil.

O rendimento médio mensal por pessoa nos domicílios beneficiados que tinham moradores de 5 a 17 anos era de R$ 660. Nas famílias com pessoas dessa idade que não recebiam Bolsa Família, o valor era de R$ 1.990.