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Flávio Bolsonaro altera posição e defende fim da escala 6x1

Candidato à Presidência promete votar a favor da proposta antes das eleições.

Agência O Globo - 13/10/2026
Flávio Bolsonaro altera posição e defende fim da escala 6x1
Flávio Bolsonaro

Candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) mudou de tom e afirmou, nesta terça-feira, que votará a favor da proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1. A análise está prevista para quarta-feira no plenário do Senado e a medida é uma das principais bandeiras eleitorais de Lula (PT). Os dois disputam o segundo turno das eleições no dia 25.

— A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6x1. Então, eu vou votar a favor do fim da 6x1. Só que a gente defende algo ainda melhor – disse o senador, após visitar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar.

Flávio chegou nesta terça-feira, às 9h45, para visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em sua residência, após três meses sem encontros. O reencontro ocorreu depois do fim de uma suspensão de 90 dias determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em julho. A visita também acontece em um momento de articulações para a sucessão dos comandos da Câmara e do Senado, negociações nas quais integrantes do PL esperam contar com a participação do ex-presidente.

Flávio estava proibido de visitar o pai desde 13 de julho, depois de divulgar nas redes sociais uma carta escrita por Jair Bolsonaro em apoio à sua candidatura à Presidência. O documento, intitulado “Carta aos brasileiros”, foi lido pelo senador durante uma transmissão ao vivo e posteriormente publicado em seus perfis. Moraes considerou que a divulgação descumpriu a determinação judicial que impede o ex-presidente de utilizar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros, e suspendeu os encontros entre pai e filho por 90 dias.

Na ocasião, o ministro afirmou que Flávio havia utilizado o direito de visita para obter uma manifestação política do pai e divulgá-la publicamente, em desrespeito às condições estabelecidas para a prisão domiciliar. O senador criticou a decisão, classificando-a como desproporcional, e argumentou que a medida também restringia sua atuação como advogado do ex-presidente.

A retomada das visitas foi autorizada por Moraes nesta segunda-feira, após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). O ministro considerou que não houve novos episódios que justificassem a prorrogação da suspensão. A decisão, no entanto, manteve a proibição de encontros com finalidade político-eleitoral e de divulgação de manifestações públicas de Jair Bolsonaro.

O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele está em regime domiciliar desde março, após receber autorização judicial para se recuperar de problemas de saúde.

O reencontro ocorre em meio às articulações do PL para a escolha dos próximos presidentes da Câmara e do Senado, prevista para fevereiro de 2027. Nos bastidores, integrantes do partido defendem que Jair Bolsonaro ajude a orientar as negociações com outras legendas e a definir as candidaturas que terão apoio da bancada. Aliados avaliam que a sucessão do Congresso poderia estar entre os assuntos tratados pelos dois, embora não haja confirmação de que o tema tenha sido discutido durante a visita.

Na Câmara, parte do PL resiste à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) e defende a apresentação de uma candidatura própria ou a construção de uma alternativa com outros partidos. Entre os nomes mencionados nas conversas estão Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Altineu Côrtes (PL-RJ).

O Republicanos, por sua vez, já sinalizou que pretende manter o apoio à recondução de Motta independentemente do resultado do segundo turno da eleição presidencial. A posição foi transmitida pelo presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, ao próprio Flávio.

Outra possibilidade discutida nos bastidores é que o PL abra mão de encabeçar a disputa pela Câmara para concentrar esforços na eleição para a Presidência do Senado. A avaliação de uma ala do partido é que o comando da Casa seria estratégico, sobretudo porque cabe aos senadores analisar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal, uma das principais bandeiras do bolsonarismo.

Após visitar o pai, Flávio tem compromissos previstos em São Paulo nesta terça-feira. Entre eles está uma reunião com integrantes do MDB favoráveis à sua candidatura: 15 diretórios vão declarar apoio ao candidato do PL.