Finanças

Pagar à vista ou parcelar? Saiba como escolher a melhor opção ao usar o cartão de crédito

EXTRA explica o que é preciso considerar para tomar uma decisão acertada

Agência O Globo - 11/10/2026
Pagar à vista ou parcelar? Saiba como escolher a melhor opção ao usar o cartão de crédito
- Foto: Depositphotos

O cartão de crédito faz parte da rotina financeira da maioria dos brasileiros. Segundo uma pesquisa feita pela Serasa, seis em cada dez brasileiros utilizaram a modalidade nos últimos 12 meses. Entre os principais motivos para o uso está a possibilidade de parcelar compras de acordo com o orçamento, apontada por 41% dos entrevistados. No entanto, decidir o que parcelar e o que pagar à vista exige estratégia e planejamento para evitar que a fatura do cartão vire uma “bola de neve” e comprometa suas finanças.

‘Dublês biométricos’:

Golpes na conta de luz:

Segundo o estudo, 30% usam o cartão para cobrir despesas do dia a dia, enquanto 29% recorrem à modalidade para compras específicas, e 18% para despesas emergenciais de saúde. Para Caio Camargo, coordenador de crédito da Serasa e especialista em educação financeira, a modalidade funciona, para muitas pessoas, como extensão da renda mensal. O problema, diz ele, é quando a pessoa passa a depender do crédito para complementar a renda que deixou de ser suficiente para cobrir despesas e pagar a fatura integralmente:

— Os juros podem fazer com que uma solução de curto prazo se transforme em uma dívida de longo prazo. Por isso, o mais importante para o consumidor é ter clareza sobre quanto do orçamento está sendo comprometido com o cartão e conseguir planejar o pagamento da fatura.

Economista e professor do mestrado em Administração da Estácio, José Trigo, diz que a escolha entre parcelar ou pagar à vista deve considerar o custo do parcelamento e a situação financeira:

— Se a compra pode ser paga à vista sem comprometer o orçamento e houver desconto, costuma ser a melhor opção. Parcelar pode ser vantajoso quando ajuda a encaixar a compra no orçamento sem apertar as contas do mês.

A pedido do EXTRA, Trigo avaliou quais despesas podem ser parceladas ou pagas à vista (confira abaixo). O modelo, porém, não é uma regra, já que a decisão depende da realidade de cada um. Em geral, quanto mais rápido um produto é consumido, menos indicado é parcelar a compra. Ele ainda recomenda evitar o acúmulo de prestações:

— O ideal é que a parcela caiba confortavelmente no orçamento e que o consumidor evite acumular várias compras parceladas ao mesmo tempo. O principal risco é perder o controle dos compromissos futuros e acabar recorrendo ao crédito rotativo, que tem juros muito elevados.

Para Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira dos Profissionais de Educação Financeira (Abefin) e da DSOP Educação Financeira, o cartão de crédito pode se tornar um “grande vilão” quando não é utilizado de forma organizada. Para parcelar uma compra, ele destaca que é preciso ter certeza de que será possível arcar com todas as prestações depois:

— Se o consumidor for parcelar em dez vezes, deve ter a certeza de que nos próximos dez meses poderá honrar essas parcelas junto com o restante da fatura. Ele deve evitar parcelar quando não tem a certeza de que conseguirá pagar o valor devido na data de vencimento.

Domingos destaca ainda que o cartão pode ser usado a favor do consumidor, desde que haja capacidade de pagamento.

— Tempo é dinheiro, principalmente quando se trata de recursos financeiros. Às vezes, eu tenho o dinheiro na conta, ele está aplicado, e aí se torna ainda mais vantagem, porque posso parcelar e deixá-lo rendendo — explica.

'Tento parcelar sempre para ter poder de compra'

Leia o depoimento da agente comunitária de saúde Amanda Barbosa, de 27 anos:

"Minha relação com o cartão de crédito já é bem antiga. Eu não compro comida nele, e nada que é básico, a não ser que haja alguma emergência. Só costumo comprar coisas para casa, roupas, maquiagem ou compras muito grandes, como uma TV, que realmente preciso parcelar porque não consigo pagar à vista. Tento parcelar sempre para ter poder de compra e, ao mesmo tempo, não ficar sem nada no mês. Fico ali sempre monitorando meus gastos. Tenho uma conversa comigo mesma no WhatsApp onde vou anotando todas as minhas prestações para ter uma noção do que posso ou não gastar e, assim, não comprometer minha renda mensal sem necessidade.

Perder noção dos gastos é o maior risco

Entre os principais cuidados ao usar o cartão de crédito estão acompanhar os gastos com frequência, evitar comprometer grande parte da renda com prestações e pagar o total da fatura até o vencimento, orienta Trigo, da Estácio. Segundo ele, o maior risco é “perder a percepção do quanto está sendo gasto”.

— Como o pagamento ocorre apenas no fechamento da fatura, muitas pessoas acabam realizando diversas compras pequenas que, somadas, geram um valor difícil de pagar no fim do mês.

Trigo alerta ainda para os juros do rotativo, cobrados quando o valor total da fatura do cartão não é pago e o saldo restante é financiado. Segundo o Banco Central, a taxa média da modalidade chegou a 444,9% ao ano em agosto.

— O rotativo deve ser encarado como um recurso emergencial e de curtíssimo prazo — orienta.

Para quem se enrolou com o cartão de crédito, Camargo, da Serasa, recomenda avaliar o tamanho da dívida e seu impacto no orçamento.

— É importante buscar alternativas mais baratas (de crédito), comparar o custo total e evitar novas compras que não poderão ser pagas integralmente, interrompendo o ciclo de endividamento — explica o especialista.