Finanças

Tesouro realiza maior venda de títulos desde 2020 diante de queda dos juros no mercado financeiro

Taxas registram forte redução desde segunda-feira, diante de dianteira de Flávio no primeiro turno e maior perspectiva de ajuste fiscal

Agência O Globo - 08/10/2026
Tesouro realiza maior venda de títulos desde 2020 diante de queda dos juros no mercado financeiro
Tesouro realiza maior venda de títulos desde 2020 diante de queda dos juros no mercado financeiro - Foto: Depositphotos

O Tesouro Nacional vendeu nesta quinta-feira o total de R$ 33,28 bilhões em títulos prefixados (com taxas de rendimento fixadas no momento da venda) para vencimentos entre 2028 e 2037. O gestor da dívida nacional se aproveita da queda de juros no mercado financeiro para aumentar as captações.

Nas LTNs (Letras do Tesouro Nacional), o Tesouro arrecadou R$ 27,856 bilhões para vencimentos entre 2028, 2029 e 2032. Já com as NTN-Fs (Notas do Tesouro Nacional série F, que pagam juros semestrais), o órgão conseguiu vender R$ 5,427 bilhões em títulos com vencimento para 2031, 2033 e 2037.

Como o governo gasta mais do que arrecada, é preciso buscar recursos no mercado para cobrir essa diferença, e a venda de títulos da dívida é uma das possibilidades. Investidores emprestam dinheiro ao governo para, no futuro, receberem o valor investido e um acréscimo em juros.

De acordo com Sergio Goldenstein, ex-diretor do Departamento de Mercado Aberto do Banco Central e sócio da consultoria Eytse Estratégia, foi o maior leilão desde tipo de título desde dezembro de 2020, quando o Tesouro arrecadou R$ 44,3 bilhões em um único leilão.

— A ampliação expressiva da oferta sinaliza maior confiança do Tesouro na capacidade de absorção de títulos prefixados pelo mercado, em um ambiente de maior apetite por risco e redução dos prêmios de juros — disse Goldenstein.

Os juros futuros têm registrado forte queda nesta semana. Na segunda-feira, chegaram a reduzir mais de um ponto percentual em uma única sessão, movimento expressivo para um dia. Nesta quinta-feira, eles seguem em redução.

Na última terça-feira, o Tesouro Nacional já havia aproveitado o cenário de juros mais baixos e captou R$ 6,83 bilhões em títulos públicos atrelados à inflação, papéis que apresentavam dificuldade de atração diante das altas taxas. O volume captado pelo Tesouro foi quase duas vezes maior do que a média anual para leilões desse tipo, de R$ 3,5 bilhões.

Tudo se centra na expectativa de ajuste fiscal. Hoje, a trajetória crescente da dívida pública faz com que o governo precise oferecer rendimentos cada vez mais atraentes para conseguir honrar seus compromissos. Se houver uma revisão em seus gastos, a tendência é que esses juros diminuam.

O mercado vê na alternância de poder chances maiores de que o ajuste seja realizado. Daí o movimento de redução nos chamados "prêmios de risco" após o resultado eleitoral do domingo.

Ontem, em evento em São Paulo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a equipe econômica do candidato do PL tem vendido “pastel de vento” ao não mostrar como chegará aos resultados que almeja.

— Tenho dificuldade de entender essa euforia — disse o ministro, referindo-se ao comportamento do mercado financeiro após o primeiro turno das eleições.

Segundo Durigan, dizer que será possível fazer superávit fiscal sem mostrar como atingir isso de forma concreta é “vender ilusão”.