Finanças
Bancos preferem manter calendário original do novo Desenrola 3.0 e só vender dívidas após 2º turno
Governo avalia antecipar cronograma de novo programa de renegociação de débitos
Os bancos já estão cientes da possibilidade de antecipação do calendário do Desenrola 3.0 pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, mas preferem manter o cronograma inicial, com a venda das carteiras de dívidas após o 2º turno das eleições presidenciais. Há um desconforto do setor com possíveis questionamentos da Justiça sobre a participação no programa a dias da definição eleitoral.
Como mostrou o colunista do Globo Fábio Graner, o governo Lula avalia a possibilidade de antecipar o leilão de compra de dívidas. O programa foi lançado na véspera do primeiro turno da eleição e tem a previsão de ter sua primeira rodada em novembro.
Mas, com a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas no último domingo, o senso de urgência aumentou, pelo menos em uma parcela do governo. Apesar disso, há resistências internas no governo e dúvidas sobre a viabilidade de se antecipar a operacionalização da medida, que não é algo trivial.
A medida provisória enviada pelo governo ao Congresso Nacional prevê um gasto de até R$ 15 bilhões para aquisição de dívidas em situação de inadimplência com descontos de no mínimo 90%. A ideia é que sejam compradas carteiras, ou seja, um conjunto de dívidas que estejam em atraso entre 2 anos e 4,5 anos, para que o governo posteriormente cobre os devedores em condições bem mais favoráveis.
Compra de carteiras
A compra de carteiras seria vantajosa para os bancos e, como é um negócio comum no setor, não demandaria grandes esforços do lado privado para ser executado. O governo, por sua vez, tem questões operacionais e de governança para definir antes de lançar o edital do leilão. Segundo interlocutores, se o leilão for mesmo antecipado, não significa que os bancos vão se abster de participar necessariamente; fica a critério de cada instituição, mas gera desconforto.
Pelo cronograma inicial, em novembro seria feito o chamamento para a entrega de propostas, que seriam entregues em dezembro e homologadas em janeiro, no caso das selecionadas. A compra das carteiras com desconto e posterior repasse do deságio aos devedores só aconteceria em fevereiro.
As dívidas elegíveis são de cartão de crédito rotativo e parcela de crédito pessoal sem consignação em folha, ambas com atraso de 2 a 4,5 anos. Esse saldo é estimado pelo governo em R$ 300 bilhões, mas o resultado esperado é alcançar 50% das dívidas elegíveis.
A campanha de Flávio Bolsonaro tem ideia similar, e o tema foi reiterado por ele nesta quarta-feira, em entrevista coletiva, como parte de sua estratégia econômica. Na versão bolsonarista, a Caixa Econômica Federal provavelmente seria a compradora da dívida de outras instituições.
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