Finanças

Apostadores de risco: metade de quem joga em bets atrasa pagamentos e precisa cortar gastos

Pesquisa Scanntech e MindMiners mostra que 26% dos entrevistados 48,9% apresentam sinais de comportamento de risco

Agência O Globo - 07/10/2026
Apostadores de risco: metade de quem joga em bets atrasa pagamentos e precisa cortar gastos
Apostadores de risco: metade de quem joga em bets atrasa pagamentos e precisa cortar gastos - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Cinco em cada dez apostadores online são considerados apostadores de risco. Eles precisam fazer cortes nos gastos e atrasam pagamentos de despesas como as pessoas com empréstimo consignado. É o que aponta um estudo realizado pela Scanntech em parceria com a MindMiners.

Com 2 mil entrevistados, a pesquisa analisou a relação entre apostas, comprometimento da renda e decisões de compra. No universo, 26% dos entrevistados afirmaram ter apostado em bets nos últimos 12 meses e 12,8%% da amostra total foram classificados como apostadores de risco. O grupo reuniu 255 entrevistados, equivalentes a 48,9%% dos 522 apostadores digitais.

A classificação de apostadores de risco considera quem declarou utilizar ao menos uma das seguintes fontes de dinheiro para realizar apostas: salário antes da separação das despesas, poupança ou reserva, cartão de crédito, cheque especial ou empréstimo consignado.

Entre os apostadores de risco que fizeram cortes nas compras de supermercado, 25% reduziram a quantidade ou deixaram de comprar alimentos básicos, como arroz, feijão, leite e óleo. Os cortes também atingiram outras categorias, como indulgentes, carnes e outras proteínas e bebidas alcoólicas, citadas por 40%%, 36%% e 36%% dos entrevistados, respectivamente. Produtos de limpeza foram citados por 32%%, enquanto higiene e cuidado pessoal, frutas, verduras e legumes e alimentos saudáveis ou protéicos apareceram com 30%%, 29%% e 29%%, respectivamente.

— Quando parte da renda fica comprometida antes mesmo de o consumidor organizar as despesas do mês, o impacto aparece no carrinho. Há redução de volumes, troca de marcas, maior busca por promoções, troca de canais de compra e, em situações de maior pressão, corte de itens básicos — afirma Priscila Ariani, diretora de Marketing da Scanntech.

Similar ao consignado

Entre os apostadores de risco, 84%% afirmam ter tido alguma conta paga após o vencimento nos seis meses anteriores à pesquisa. Entre as pessoas com empréstimo consignado, o percentual é similar: 80%%. Em contrapartida, os entrevistados que não apostam nem possuem consignado, possuem um índice de 48%% — alto, mas significativamente menor que os grupos anteriores.

Ao observar redução ou corte nas quantidades compradas nos últimos 12 meses, o comportamento se repete: semelhança entre os apostadores de risco (78%%) e pessoas com empréstimo consignado (76%%) e níveis altos, porém, significativamente menores no grupo que não aposta nem possui consignado (58%%).

Embora os efeitos sobre algumas decisões de consumo sejam próximos, consignado e apostas apresentam escalas financeiras diferentes. O estudo mostra que 11,5%% dos entrevistados possuem crédito consignado, enquanto 26%% afirmam ter apostado nos últimos 12 meses.

Se por um lado o consignado tem um maior comprometimento mensal, por outro, as apostas alcançam uma parcela mais ampla da população. Entre os apostadores fora do grupo de risco, o valor médio mensal destinado às bets é de R$ 239. Entre os apostadores de risco, a média dobra: R$ 485. Entre as pessoas com consignado, o desconto médio mensal referente às parcelas dos empréstimos chega a R$ 959.