Finanças

Ministro da Fazenda critica euforia do mercado financeiro após eleições

Dario Durigan destaca falhas na equipe econômica da campanha de Flávio Bolsonaro.

Agência O Globo - 07/10/2026
Ministro da Fazenda critica euforia do mercado financeiro após eleições
Ministro da Fazenda critica euforia do mercado financeiro após eleições - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a equipe econômica da campanha de Flávio Bolsonaro tem vendido “pastel de vento”, sem apresentar uma estratégia clara para alcançar os resultados prometidos. O responsável pela pasta expressou sua dificuldade em entender a euforia do mercado financeiro após o primeiro turno das eleições.

— Tenho dificuldade de entender (a reação do mercado financeiro) essa euforia — disse o ministro.

Durigan participou de forma remota de um evento da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), realizado em São Paulo.

— Quando você compara o governo anterior com o atual governo Lula, é difícil que o anterior se destaque em algum aspecto, especialmente na política fiscal — enfatizou.

De acordo com ele, afirmar que será possível alcançar um superávit de 1,5% do PIB sem um planejamento sólido é “vender ilusão”.

Durigan também comentou que, enquanto o risco-país aumentou sob a gestão Bolsonaro, ele já apresentou uma queda na administração atual, citando uma melhora na nota de risco do Brasil, “com as nossas regras fiscais”.

— Acredito que comprar ilusões, como já fizemos no passado, é um erro — alertou, fazendo um pedido por confiança na proposta da gestão atual.

'Desastre na construção civil'

O ministro alertou que, se Flávio Bolsonaro for eleito, a construção civil pode enfrentar um “desastre”.

Para Durigan, o governo anterior “cometeu diversas maluquices na área fiscal”, aprovando medidas sem ter receitas garantidas para sua execução. Ele criticou a falta de ações concretas durante o governo de Flávio Bolsonaro que favoreceriam a produtividade no país.

— A reforma tributária é o grande ganho de produtividade no Brasil pós-1988 — destacou, salientando que, apesar da dificuldade em transformar o sistema tributário, é imprescindível promover essa mudança.

O ministro observou que o arcabouço fiscal deve ser “reforçado” para assegurar que as despesas cresçam abaixo das receitas, um processo que já está em andamento e que deverá se intensificar a partir deste ano.

— Temos que garantir que essa regra fiscal continuará a existir, com a receita crescendo mais do que a despesa, para estabilizar o crescimento da dívida pública, que é uma questão crucial para o país — frisou.

Política fiscal

Durigan chamou a atenção para os indicadores de inflação, desemprego e balança comercial, que representariam uma oportunidade para a construção civil.

— Temos uma milha final para corrigir, que é a taxa de juros e a situação fiscal do país.

Ele destacou a falta de institucionalidade durante o governo Bolsonaro, um fator que pode ser “grave para o país”, e acusou a campanha atual de fazer “populismo fiscal”, prometendo cortes enquanto afirma que manterá a valorização do salário mínimo e a vinculação dos benefícios sociais e previdenciários a ele.

Questionado sobre sua empolgação em relação às eleições, Durigan afirmou que não é “negacionista da democracia”:

— O resultado das urnas deve ser sempre bem-recebido. Teremos um ano de 2026 diferente de 2022, com uma democracia em festa e sem bagunça no país.