Finanças
Escala 6x1: ministro de Lula se reúne com líderes para discutir PEC
Governo tenta usar proposta que muda jornada de trabalho como trunfo para o segundo turno do pleito
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, deve procurar os presidentes da Câmara, Arthur Lira (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), nesta terça-feira para discutir a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a jornada 6x1 — seis dias de trabalho para um de descanso na semana.
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Fim da escala 6x1
Entenda o que diz o texto e a regra de transição.
Responsável pela articulação política do Executivo com o Legislativo, o ministro disse ainda, na segunda-feira, que convocará uma reunião com os líderes do governo na Câmara, no Senado e no Congresso para traçar estratégias.
A PEC é considerada prioritária para o Palácio do Planalto e é vista como um trunfo por aliados de Lula para ajudar o petista na segunda rodada das eleições. Alcolumbre anunciou que levaria o projeto à votação dois dias antes do primeiro turno, no que foi interpretado como um gesto ao petista.
A expectativa era que isso pudesse ter impacto já no resultado das urnas no domingo, o que não se concretizou. Flávio Bolsonaro ficou à frente de Lula (PL-RJ); o senador teve 47,03% dos votos, e o petista, 45,16%.
Segundo Guimarães, o desfecho desfavorável nas urnas para Lula não deverá impactar na tramitação da proposta na Casa. Ele disse que a expectativa é que o tema seja votado até quarta-feira.
— Vamos focar na votação. É cuidar bem para que possa ser votada, é uma prioridade. A partir de amanhã os dois presidentes das duas Casas chegam (em Brasília) e vamos falar. A ideia é iniciar a discussão e votar até quarta-feira — afirmou Guimarães à imprensa.
O ministro de Lula falou à imprensa antes de reunião convocada pela campanha do petista com aliados dos estados para discutir estratégias para o segundo turno.
Veja:
— Nós temos que defender a PEC e expor quem está contra. Certamente não será votada nesta semana, porque tem o rito, tem que cumprir as cinco sessões — afirmou o senador Cid Gomes (PSB-CE).
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), no entanto, tem visão distinta da de Guimarães. Ela afirmou ao GLOBO que “está mais difícil aprovar” a matéria diante do resultado das eleições no primeiro turno, mas disse que é preciso pressionar para que o tema seja apreciado.
Um líder do Senado diz, sob reserva, que não vê Alcolumbre recuando da iniciativa de levar à votação a PEC. Mas afirma que, com esse resultado das urnas, o presidente do Senado poderá adotar ritmo mais demorado na tramitação. Esse líder diz que não há votos suficientes para aprovar sequer um interstício (instrumento regimental que pode acelerar a votação de uma PEC). Neste domingo, o PL elegeu 19 senadores, tornando-se a maior bancada da Casa (com 28 no total).
Alcolumbre está no meio de seu mandato, mas busca sua recondução no comando do Senado a partir de fevereiro. Nesse sentido, com Flávio à frente no primeiro turno e uma bancada expressiva do PL, a postura de Alcolumbre com a PEC poderá ser diferente daqui para frente. A PEC está muito atrelada à gestão Lula e sua aprovação poderia ajudar o petista. Já o próprio Flávio e seu entorno se posicionaram contra o texto da PEC.
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