Finanças
Infra S.A. aposta em ferrovia, terminais e serviços técnicos para deixar dependência do Tesouro
Hoje, a maior parte das despesas é bancada pelo Tesouro; para o ano que vem, estão previstos R$ 849 milhões do Orçamento.
A Infra S.A., estatal vinculada ao governo federal, apresentou nesta quarta-feira um plano para deixar de depender de recursos do Tesouro a partir de 2031. A empresa, que incorporou a antiga estatal criada para desenvolver o projeto do trem-bala entre Rio de Janeiro e São Paulo, incluiu entre as apostas para gerar novas receitas a exploração da infraestrutura do corredor formado pelas ferrovias de Integração Centro-Oeste (Fico) e de Integração Oeste-Leste (Fiol).
As medidas fazem parte do Plano de Sustentabilidade Econômica e Financeira 2027–2031, apresentado pela companhia nesta quarta-feira. O objetivo é alcançar a independência financeira com receitas próprias suficientes para cobrir 105% das despesas de pessoal e custeio.
Este é o requisito exigido para que uma estatal dependente do Tesouro alcance a transição, conforme regulamentação do Ministério da Gestão atualizada em 2025.
Hoje, parte relevante das despesas da Infra S.A. é bancada pelo Tesouro. Para o ano que vem, estão previstos R$ 849 milhões do Orçamento. Com 634 empregados, a empresa é fruto de uma fusão concluída em 2022 entre a Empresa de Planejamento e Logística (EPL) e a Valec, estatal de ferrovias em regime de parceria público-privada.
Entre 2022 e 2025, a estatal ampliou as receitas próprias de R$ 6,5 milhões para R$ 74,2 milhões.
O plano divide as novas fontes de receita em três frentes: estruturação de concessões e políticas públicas, exploração de infraestrutura e prestação de serviços ligados a mercado e inteligência.
No setor ferroviário, um dos principais projetos é a exploração da infraestrutura do corredor Fico-Fiol, prevista para começar a gerar receitas a partir de 2030. A empresa também pretende fazer novas ofertas públicas de terminais ferroviários, revisar contratos de terminais que já estão sob sua gestão e buscar receitas relacionadas às subconcessões da Ferrovia Norte-Sul e à Transnordestina.
A estatal também quer transformar em fonte de receita serviços ligados às bases de dados do Observatório Nacional de Transporte e Logística (ONTL), com inspeções técnicas e atuação na área ambiental.
Outra frente será ampliar a cobrança pelos estudos e projetos desenvolvidos pela companhia. O plano prevê uma revisão da metodologia usada para definir os preços cobrados pela Infra S.A. O modelo será aplicado a projetos nos setores rodoviário, ferroviário, portuário e aeroportuário.
A estruturação do portfólio começa em 2026 e, entre 2027 e 2028, a previsão é colocar em funcionamento as primeiras fontes recorrentes de receita.
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