Finanças

Australiana Lynas Rare Earth fecha acordo para compra de 100% da Meteoric, dona de projeto brasileiro de terras-raras

Aquisição dependerá de aval no Brasil e deve ser o primeiro grande teste do novo conselho de minerais críticos

Agência O Globo - 01/10/2026
Australiana Lynas Rare Earth fecha acordo para compra de 100% da Meteoric, dona de projeto brasileiro de terras-raras
Lynas Rare Earth

A australiana Lynas Rare Earths vai adquirir a Meteoric Resources em uma operação envolvendo exclusivamente ações, avaliada em cerca de US$ 672 milhões (cerca de R$ 3,5 bilhões), garantindo acesso a uma nova jazida de minerais críticos no Brasil. O negócio envolve o Projeto Caldeira de Terras-Raras, localizado no município de Caldas, no Sul de Minas Gerais, e abre caminho para uma nova etapa de processamento mineral no país.

A Lynas é a maior produtora de terras raras fora da China, que detém quase o monopólio da mineração e do processamento desses minerais críticos. A mineradora busca diversificar seus recursos por meio da aquisição, informou a companhia em comunicado. A empresa oferecerá 0,0207 ação da Lynas para cada ação da Meteoric, acrescentou.

O negócio vai reunir a escala e o potencial mineral do projeto brasileiro à experiência técnica, operacional e financeira da Lynas, uma das principais produtoras de terras raras do mundo.

Controlada pela pessoa mais rica da Austrália, Gina Rinehart, a Lynas atualmente extrai terras raras — utilizadas em ímãs permanentes empregados em tudo, desde aplicações militares até smartphones — na Austrália e processa o material na Malásia.

“Expandir nossas operações para um novo país ajudará a Lynas a manter sua posição de liderança na cadeia global de fornecimento de terras raras e a atender ao aumento da demanda dos clientes por materiais de terras raras”, disse o presidente do conselho da Lynas, John Humphrey, no comunicado. “O Brasil é uma jurisdição de mineração consolidada e favorável, e suas reservas de terras raras são as maiores fora da China.”

A Lynas afirmou que espera que o desenvolvimento do Projeto Caldeira custe mais de US$ 500 milhões e que realizará estudos adicionais sobre possíveis alternativas de processamento.

Para a Lynas, a incorporação do Projeto Caldeira resulta em um aumento de 79% em seus recursos minerais existentes e de 26% em suas reservas de minério, com base nas premissas e referências técnicas utilizadas pelas empresas.

Para o Projeto Caldeira, a transação representa acesso à experiência técnica e operacional da Lynas e a uma estrutura financeira com capacidade para apoiar seu desenvolvimento.

Diálogo

Ambas as empresas estabeleceram diálogos com representantes do governo brasileiro para discutir os benefícios da fusão das empresas e as perspectivas para o desenvolvimento do projeto no país.

A interlocução ocorre em observância ao novo marco estabelecido pela Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que reforça diretrizes relacionadas à agregação de valor no país, ao desenvolvimento tecnológico, à inovação, ao fortalecimento das cadeias produtivas e à transferência de tecnologia.

As companhias reafirmaram às autoridades brasileiras o compromisso com uma relação institucional transparente e construtiva e com o cumprimento integral dos procedimentos e aprovações regulatórias aplicáveis à transação.

Sobre o negócio

Nos termos do acordo anunciado, a Lynas propõe adquirir 100% das ações da Meteoric por meio de uma transação integralmente em ações. Os acionistas da Meteoric receberão ações da Lynas conforme a relação de troca estabelecida nos documentos definitivos da operação.

O Conselho de Administração da Meteoric recomendou unanimemente que os acionistas votem a favor da transação, na ausência de uma proposta superior e sujeito à conclusão do especialista independente de que o plano atende aos melhores interesses dos acionistas da Meteoric.

A conclusão da operação está sujeita a condições e aprovações previstas no acordo, incluindo aprovação dos acionistas da Meteoric, aprovações judiciais e regulatórias aplicáveis na Austrália e no Brasil.

As empresas manterão o mercado e os demais stakeholders informados sobre os próximos passos da transação, de acordo com suas respectivas obrigações regulatórias e de divulgação.