Finanças
Representantes de Lula e Trump se reúnem nos EUA para discutir tarifaço
Encontro ocorreu durante reunião do G20 de Comércio em Milwaukee, nos Estados Unidos
Os ministros das Relações Exteriores, Márcio Elias Rosa, e de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, se reuniram nesta quarta-feira com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, em uma reunião para discutir a imposição de tarifas sobre o Brasil pelo país norte-americano.
Após o encontro, ficou acordada a criação de um grupo de trabalho focado na discussão de temas relacionados a um possível acordo entre os dois países. De acordo com o Itamaraty, os representantes dos dois países reconheceram a importância de avançar na superação dos obstáculos atuais.
"Durante a reunião, os ministros brasileiros reafirmaram a disposição do Brasil de avançar, por meio do diálogo e da negociação, na construção de soluções para os temas que afetam o comércio bilateral, sempre tendo como referência a defesa dos interesses brasileiros e a ampliação das oportunidades para empresas e setores produtivos dos dois países", afirmou a pasta.
A reunião ocorreu em meio ao encontro do G20 para o Comércio, em Milwaukee, nos Estados Unidos. A conversa durou cerca de 40 minutos, incluindo a participação das equipes técnicas dos dois lados. A reunião com Greer já estava prevista pela delegação brasileira desde o início deste mês.
Segundo o Itamaraty, o encontro deu continuidade ao diálogo de alto nível entre Brasil e Estados Unidos, iniciado após o telefonema de 21 de agosto entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
À época, Elias Rosa afirmou que ainda não existia um esboço de acordo e reconheceu a dificuldade das tratativas. Nas últimas semanas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou o discurso de soberania nacional contra as tarifas em meio à disputa eleitoral.
Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente Lula da Silva rechaçou o que chamou de "ingerências externas" sobre decisões soberanas de países como o Brasil e a Venezuela. O mandatário brasileiro disse que o país "não subestima" o desafio do combate ao crime organizado e, sem citar o nome de Donald Trump, mencionou ter entregue pessoalmente ao homólogo americano um plano de atuação conjunta contra facções criminosas.
O Brasil procura ampliar a lista de produtos poupados das tarifas adicionais adotadas pelo governo americano. Embora setores como carne, café, petróleo, terras raras e peças aeronáuticas tenham sido incluídos entre as exceções, outras mercadorias brasileiras continuam sujeitas às sobretaxas.
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