Finanças
Governo vai cobrar que bancos rastreiem operações ilegais e apertar cerco contra divulgação de bets
Força-tarefa deve chamar instituições que permitem transações ligadas a apostas irregulares e apertar a cobrança sobre plataformas digitais
O governo federal se prepara para uma nova ofensiva contra as apostas ilegais após a proibição do setor na última sexta-feira (dia 25). O foco será o rastreamento do dinheiro e a retirada de publicidade nas redes sociais.
A força-tarefa deve convocar bancos e instituições de pagamento que permitem transações ligadas a apostas irregulares, além de intensificar a cobrança sobre plataformas digitais, com novas medidas de remoção, bloqueio e responsabilização.
Nesta terça-feira, os ministérios da Justiça e da Fazenda apresentaram um balanço das ações realizadas nos primeiros dias para combater as apostas ilegais. Desde sexta-feira, o governo solicitou a derrubada de 5,2 mil sites de apostas e cerca de 1,7 mil perfis nas redes sociais.
A expectativa das autoridades é que os endereços e perfis sejam removidos pelas empresas provedoras de internet e redes sociais até esta quarta-feira.
Subsídios
Segundo o governo, os conteúdos identificados estão sendo consolidados para subsidiar novas medidas de bloqueio e responsabilização em casos de publicidades nas redes. Ontem, iniciou-se também a atuação voltada à remoção de conteúdos no TikTok.
O secretário nacional de Direitos Digitais (Sedigi), Vitor Oliveira Fernandes, afirmou que está sendo estabelecido um novo regime de responsabilidade para as redes sociais e lojas de aplicativos.
— Os prazos precisam ser observados. Há um compromisso de combater os anúncios que são a porta de entrada para acessar os serviços — afirmou.
Lojas de aplicativos
Quanto às lojas de aplicativos, plataformas e operadoras, 186 aplicativos foram notificados para retirada das lojas da Apple e do Google até 6 de outubro. Oito grandes plataformas foram notificadas para remover a publicidade em um prazo de dez dias: Google, Meta, YouTube, X, Telegram, TikTok, Kwai e Discord.
Em outra frente, o governo também está rastreando quais instituições financeiras e de pagamento continuam permitindo transferências ligadas a apostas ilegais. As empresas identificadas no rastro dessas operações devem ser cobradas pelas autoridades, conforme explicou o diretor de Fiscalização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
Segundo ele, essas empresas têm condições de identificar movimentações incompatíveis com a atividade declarada de seus clientes, devendo bloquear contas suspeitas e comunicar os órgãos competentes.
— Se você tem uma instituição financeira que não atenta para as regras do BC e permite que uma padaria, por exemplo, receba valores relacionados a “joguinho” ou “tigrinho”, ela tem a obrigação de encerrar aquela conta e comunicar aos órgãos. Parece que isso não tem acontecido. Agora, estamos avaliando as instituições financeiras que permitem essas transações e vamos convocá-las para uma conversa — afirmou.
Meios de pagamentos
A Secretaria identifica os meios de pagamento aceitos por esses sites e determina o bloqueio das contas financeiras utilizadas na operação.
Até o momento, foram identificadas 63 pessoas jurídicas que receberam dinheiro de bets ilegais. O Banco Central (BC) foi notificado ontem para iniciar o rastreamento da cadeia de pagamentos. Foram instaurados 63 processos na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).
A força-tarefa é coordenada pelos Ministérios da Fazenda e da Justiça. A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), da Fazenda, é responsável por fiscalizar exclusivamente os sites de apostas de quota fixa.
A busca por sites ilegais é contínua e realizada por um laboratório virtual e pela equipe técnica da Secretaria, que monitora buscadores, deep web, dark web, denúncias e ouvidorias.
Fiscalização
Já a fiscalização de redes sociais e aplicativos em lojas online é de competência do Ministério da Justiça.
Entenda os próximos passos estabelecidos pela Medida Provisória que instituiu a proibição das bets:
5 de outubro
Prazos finais para retirada do ar das publicidades de bets ilegais e para a remoção das plataformas.
6 de outubro
Apple e Google devem retirar os 186 aplicativos de apostas que foram notificados.
5 de outubro
Data estimada para anulação das apostas que estiverem em aberto e sem resultado apurado. Nesses casos, o valor apostado deve ser devolvido integralmente. Apostas com resultado apurado nesse intervalo terão os prêmios pagos normalmente.
7 de outubro
Data estimada para as empresas informarem às instituições financeiras, por CPF, os valores que cada apostador deve receber. Até essa data, também precisam garantir os recursos para as restituições e enviar as informações à Secretaria de Prêmios e Apostas.
8 de outubro
Prazos para Google, Meta, YouTube, X, Telegram, TikTok, Kwai e Discord retirarem conteúdos de bets ilegais das páginas notificadas.
14 de outubro
Data estimada para bancos e demais instituições de pagamento concluírem as transferências aos apostadores, considerando os sete dias a partir de 7 de outubro.
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