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Carne bovina do Brasil não entra na Europa em menos de dois anos, estima diretor de auditoria da UE

Período corresponde, aproximadamente, ao tempo do nascimento até que os animais estejam prontos para o abate.

Agência O Globo - 29/09/2026
Carne bovina do Brasil não entra na Europa em menos de dois anos, estima diretor de auditoria da UE
carne bovina - Foto: Depositphotos Foto: https://depositphotos.com/

O Brasil não voltará a vender carne bovina para a União Europeia por pelo menos dois anos. A previsão é do diretor de saúde e auditorias alimentares da União Europeia e membro da Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu, Eric Thévenard, ao ser questionado pelo eurodeputado irlandês Ciaran Mullooly.

O período de dois anos corresponde, aproximadamente, ao tempo necessário para a criação dos bovinos no Brasil até que estejam prontos para o abate.

— Resumindo, o tempo entre o nascimento e o abate, digamos, será de cerca de dois anos. Então vocês podem calcular; nada antes de dois anos, em teoria. Portanto, daqui a dois anos, a carne bovina não deverá vir do Brasil — disse Thévenard a membros da Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu, o órgão legislativo da União Europeia.

A União Europeia suspendeu, a partir de 3 de setembro, os embarques de carne bovina, carne de aves e outros produtos de origem animal provenientes do Brasil, porque, segundo a autoridade sanitária europeia, o país não cumpre as regras do bloco contra a aplicação de antibióticos para ingestão humana.

Havia dúvidas sobre a duração da proibição e sobre a possibilidade de que eventuais mudanças de curto prazo no sistema brasileiro de rastreabilidade permitissem a retomada das exportações de carne bovina para a União Europeia antes do prazo inicialmente previsto.

Sistema de rastreabilidade

Agora, a Comissão Europeia, braço executivo da UE, confirmou que um sistema adequado de rastreabilidade precisa estar implementado desde o nascimento do animal. Isso significa que, mesmo que o Brasil resolva imediatamente todas as questões apontadas, apenas a carne proveniente de animais nascidos após a adoção dessas medidas poderá ser exportada para o bloco europeu.

Após a reunião da Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu, na segunda-feira, o eurodeputado irlandês Ciaran Mullooly afirmou que a decisão confirma o que ele e outras pessoas vinham defendendo: o Brasil não apresentou as garantias necessárias para demonstrar que suas exportações de carne bovina atendem aos padrões de segurança alimentar da UE.

Mullooly acrescentou que a Comissão Europeia também confirmou que continuam sem solução as preocupações relacionadas aos controles brasileiros sobre o uso do hormônio estradiol, lembrando o recolhimento em dezembro passado de lotes de carne bovina brasileira com o hormônio, que é proibido na pecuária da UE, questionando se os controles brasileiros não podem voltar a falhar no futuro.

— Muitos consumidores acreditavam que a carne bovina vendida na UE não continha esse hormônio, já que ele é proibido no bloco. Eles a consumiram antes de serem informados de que ela não estava livre do hormônio, não era segura e deveria ser recolhida — ressaltou.

Segundo o deputado irlandês, representantes da Comissão informaram ainda que uma auditoria sobre os controles brasileiros de antimicrobianos só será agendada quando houver uma perspectiva concreta de retomada do comércio de carne bovina.

— Uma nova entrada da carne bovina brasileira no mercado europeu não deve ocorrer até que seja comprovado o cumprimento de todas as exigências aplicáveis da União Europeia e que esse cumprimento seja verificado de forma independente — afirmou.

Sinal verde para frango e mel

Na segunda-feira, o Ministério da Agricultura informou que a Comissão Europeia. De acordo com o governo brasileiro, o relatório final da auditoria realizada pelas autoridades sanitárias da UE concluiu "que o arcabouço legal, os procedimentos, a capacitação dos fiscais e os controles oficiais brasileiros são capazes de fornecer as garantias exigidas pela legislação europeia".

A missão europeia fez visitas a vários estabelecimentos produtivos brasileiros de carne de aves e produtos avícolas e mel, e órgãos oficiais, entre 24 de agosto e 4 de setembro. Durante a auditoria, as autoridades puderam constatar a proibição do uso de antimicrobianos como promotores de crescimento e aumento de rendimento.

Ainda assim, o relatório por si só não significa que o Brasil poderá voltar a exportar os dois produtos para a União Europeia. O Ministério da Agricultura aguarda, agora, o cumprimento, por parte da UE, das etapas administrativas necessárias para a retomada das exportações brasileiras para o bloco.