Finanças
Líderes do Congresso nacional apontam mudanças em MP do fim das bets
Tema deve ser discutido depois das eleições. Texto precisa ser votado em até quatro meses para continuar em vigor
Líderes partidários do Congresso avaliam que a medida provisória (MP) que proíbe as bets deve ser alterada pelos parlamentares e afirmam que o assunto começará a ser discutido após o fim das eleições. O texto, editado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às vésperas do primeiro turno, precisa ser votado em até quatro meses pelos parlamentares para ter validade permanente.
O petista, que é candidato à reeleição, assinou na última sexta-feira a MP proibindo a atividade das bets no país, menos de três anos após o governo ter sancionado, em dezembro de 2020, a chamada Lei das Bets, que regularizou o setor. O presidente tem usado a MP como um trunfo para melhorar sua popularidade em meio à sua campanha de reeleição.
A medida proíbe apostas esportivas e o cassino on-line (como o “jogo do tigrinho”), extingue as autorizações concedidas aos operadores e estabelece um cronograma para o encerramento das atividades.
Com o Congresso Nacional esvaziado e os parlamentares focados em suas campanhas, a cúpula do Poder Legislativo evita fazer previsões detalhadas sobre qual caminho a MP terá em sua tramitação.
Articulação
Nos bastidores, parlamentares já falam em uma articulação para rever trechos da MP, como criar um prazo de transição para a restrição entrar em vigor ou devolver os valores pagos pelas empresas para obterem a licença. Além disso, há propostas para excluir alguns setores da proibição, em vez de abarcar a atividade de maneira ampla.
Líderes concordam que a MP pode ser alterada, mas fazem ressalvas sobre o fato de que as negociações ainda precisam ganhar corpo e serem melhor debatidas, o que só ocorrerá após as eleições.
— Vamos tratar disso pós-eleições, mas acho que terá que ser feito algo plausível — declarou o líder do PP na Câmara, Doutor Luizinho (RJ).
Parte do Congresso tenta articular a derrubada da MP e avalia que o governo não vai se esforçar para manter o texto após as eleições, já que a medida teria sido feita para o período eleitoral.
— A pressão dos clubes de futebol será tão grande sobre os parlamentares que acho difícil passar — disse o presidente do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP).
Entretanto, integrantes da base de Lula negam esse cenário. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que o Palácio do Planalto buscará diálogo com o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), logo após a eleição para definir os próximos passos.
Cabe a Alcolumbre determinar a instalação da comissão mista que irá analisar a MP, o que é o primeiro passo para a tramitação do texto.
Relatoria
Ainda não há definição sobre se a relatoria da MP caberá ao Senado ou à Câmara, mas o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que é da base governista e favorável à medida, já demonstrou interesse em ser o relator.
— Vou pedir ao presidente do Congresso Nacional para me designar relator para acabar com elas (as bets) — disse o emedebista.
Com a publicação da MP, novos depósitos nas contas das empresas de apostas foram proibidos. Os sites permanecerão disponíveis para que os usuários façam o resgate do saldo remanescente até às 23h59 de 5 de outubro.
No dia 6 de outubro, os sites serão bloqueados. A devolução dos saldos aos apostadores ocorrerá entre os dias 9 e 14 de outubro, pelas instituições financeiras que operam para as casas de apostas, caso o saque não seja realizado voluntariamente até o dia 5 de outubro.
Além disso, está proibida a contratação de novas publicidades de bets. Juntamente à MP que proíbe as bets no país, o presidente apresentou ao Congresso um projeto de lei para criminalizar as bets e seus operadores, com penas de prisão que podem variar de dois a seis anos. Ao contrário da MP, o projeto de lei só entrará em vigor após ser avaliado pelos parlamentares.
Recurso ao STF
Nesta segunda-feira, as principais entidades que reúnem as empresas de aposta on-line no Brasil recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a MP.
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) sustentam que a norma pode provocar efeitos irreversíveis antes mesmo de ser analisada pelo Congresso Nacional e solicitam que o ministro Luiz Fux examine a questão de forma imediata.
A manifestação das empresas foi apresentada nas ações que já discutem no Supremo a constitucionalidade do marco legal das bets, todas sob a relatoria de Fux. También ontem, a ANJL ingressou com uma nova ação no STF especificamente contra a MP, em que não apenas pede que esta seja declarada inconstitucional, mas também que seja reconhecida a constitucionalidade das leis que atualmente regulamentam as apostas no Brasil.
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