Finanças

Proibição das bets: governo dialoga com clubes sobre impactos

Empresas de apostas notificam equipes sobre rompimento de contratos, alertando para dificuldades financeiras.

Agência O Globo - 28/09/2026
Proibição das bets: governo dialoga com clubes sobre impactos
Lula - Foto: Reprodução

Nesta semana, o Palácio do Planalto reunirá dirigentes de clubes de futebol para discutir os impactos da medida provisória (MP) que proíbe as bets no país. A intenção é ouvir os representantes do setor e diagnosticar os prejuízos provocados pela decisão.

Eventuais medidas de apoio serão avaliadas posteriormente. O encontro está agendado para a terça-feira (dia 29).

O governo busca formar uma comissão com os representantes dos clubes, que manifestaram sua reação à proibição anunciada na última sexta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa ocorre às vésperas do primeiro turno das eleições, marcado para o domingo, dia 4 de outubro, em meio ao acirramento da disputa entre Lula e seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL).

Reação

A decisão do governo suscitou reações entre os clubes. Empresas de apostas on-line já notificaram equipes sobre o possível rompimento de contratos de patrocínio, resultando em alertas de dirigentes sobre dificuldades em honrar compromissos financeiros nos próximos meses.

O Flamengo, por exemplo, recebe R$ 268,5 milhões por temporada da Betano e afirma não possuir um plano alternativo para substituir essa receita. O presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, estima que a medida poderá provocar um prejuízo de até R$ 400 milhões no orçamento do próximo ano.

O Fluminense também foi comunicado pela Superbet, patrocinadora com a qual mantém um contrato até o fim de 2029, no valor de R$ 58 milhões anuais, sobre a possibilidade de encerramento do vínculo. Em nota divulgada pouco antes do anúncio da MP, o clube reconheceu a legitimidade do debate sobre apostas, mas defendeu um período de transição adequado caso as regras sejam alteradas.

Justificativa

O governo justifica a ofensiva contra as bets com a necessidade de combater o superendividamento das famílias brasileiras. A medida proíbe jogos de azar on-line, como o caça-níquel conhecido como "jogo do tigrinho", os jogos de colisão, como o "aviãozinho", além de roletas virtuais e apostas esportivas.

Com a publicação da MP, os apostadores ficam impedidos de fazer novos depósitos ou transferências para as plataformas. Os sites continuarão funcionando apenas para permitir o resgate dos saldos, que poderá ser realizado voluntariamente até as 23h59 de 5 de outubro. As empresas que dificultarem a retirada dos recursos estarão sujeitas a sanções administrativas e criminais por apropriação indébita.

O Ministério da Fazenda também elaborou um cronograma para encerrar as atividades das plataformas no país. À meia-noite de terça-feira, 6 de outubro, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Comitê Gestor da Internet (CGI) deverão bloquear os sites e ordenar a remoção dos aplicativos. Assim, deixará de existir a oferta legal de jogos on-line no Brasil.

Paralelamente à MP, que possui efeito imediato, o governo enviará ao Congresso Nacional um projeto de lei para criminalizar a exploração de jogos de azar, a publicidade dessas atividades e o uso de dados para tal finalidade. A proposta prevê penas de até seis anos de prisão.