Finanças

Prévia da inflação sobe 0,7% em setembro

Índice acelera após deflação em agosto e acumula alta de 4,47% em 12 meses, perto do teto da meta

Agência O Globo - 25/09/2026
Prévia da inflação sobe 0,7% em setembro
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O custo da energia elétrica e a retomada da alta dos alimentos pressionaram os preços em setembro. O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, subiu 0,7% neste mês, após deflação de 0,4% em agosto, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (dia 25).

O resultado veio acima do esperado pelos analistas, que projetavam alta de 0,55% no período, segundo projeções do Valor Data.

Em 12 meses, o índice acelerou para 4,47%, ante 4,24% até agosto, e ficou próximo do teto de 4,5% estabelecido para a meta de inflação.

O que dizem analistas?

A alta dos alimentos, da energia elétrica e dos combustíveis concentrou parte das surpresas dos analistas com o resultado, explica Leonardo Costa, economista do ASA. Itens "in natura" subiram mais que o esperado, e uma queda nos preços da gasolina não se confirmou.

Para os próximos meses, a perspectiva é de pressão maior sobre alimentação. O analista afirma que as coletas mais recentes já indicam uma aceleração em relação ao comportamento captado nesta prévia de setembro.

— O efeito do El Niño deve começar a aparecer no fim desse ano, isso se já não tiver aparecendo por agora. O balanço para alimentação é uma inflação mais pressionada no final deste ano e início do ano que vem.

Apesar da perspectiva de inflação mais pressionada no curto prazo, Costa avalia que o resultado do IPCA-15 não altera sua expectativa de que o Banco Central continue a reduzir a taxa básica de juros nas reuniões de novembro e dezembro. Isso porque parte relevante das surpresas veio de itens mais voláteis, enquanto os núcleos da inflação não avançaram na mesma intensidade, ainda que estejam em patamar próximo ao limite superior da meta de inflação.

— O principal risco é o que vai sair dessa eleição e como os ativos vão reagir, se vai haver desvalorização do câmbio e se vai impactar expectativa de inflação. O que pode alterar algum plano de voo do BC é se haverá algum estresse nos ativos, afetando a inflação corrente.

Matheus Pizzani, economista do PicPay, também destaca a reversão mais rápida do que o esperado da queda dos alimentos e das passagens aéreas, que praticamente devolveram todo o recuo de agosto. Ele explica que chuvas acima da média prejudicaram a produção de alimentos in natura, e o aumento da carne bovina voltou a pressionar os preços.

Para os próximos meses, os efeitos do El Niño sobre hortaliças, tubérculos e arroz podem prolongar a alta. Uma eventual quebra de safras de milho e soja também pode encarecer as proteínas, diz. Apesar da surpresa com a inflação de setembro, Pizzani não vê impacto sobre a próxima decisão do Copom:

— Os desvios se concentraram em itens mais voláteis, sobre os quais o Banco Central possui menor gerência — afirma. — As bases materiais do cenário que vem sustentando nossa projeção de juros terminal de 2026, que contempla mais um corte de 25 pontos na reunião de novembro e interrupção do ciclo de cortes na reunião de dezembro.

Conta de luz sobe 2%

A alta foi puxada, principalmente, pelo aumento da conta de luz. A energia elétrica residencial voltou a subir após o efeito do bônus de Itaipu em agosto, que provocou um alívio temporário sobre os preços. O grupo Habitação registrou a maior variação entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, com alta de 2,07%. O grupo também teve o maior impacto sobre o índice, de 0,31 ponto percentual.

O gás encanado subiu 0,92%, um reflexo dos reajustes nas tarifas em Curitiba e no Rio, em vigor desde o início de agosto. Em Curitiba, a alta foi de 10,21%, enquanto no Rio o reajuste foi de 1,80%.

Os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE registraram alta em setembro. Além de Habitação, as maiores variações foram observadas em Despesas pessoais, com avanço de 0,96%, e Transportes, que subiu 0,60%. Educação teve a menor variação, com 0,03%.

Em Transportes, o principal destaque foram as passagens aéreas, que ficaram 9,82% mais caras no mês. Já os combustíveis subiram, em média, 0,22%. O gás veicular foi o que mais avançou, com alta de 1,56%, seguido da gasolina, com 0,3%. Já o óleo diesel recuou 0,78% e o etanol caiu 0,22%.

As tarifas de táxi também pressionaram o grupo, puxado por um reajuste em Belo Horizonte;

Em Despesas pessoais, a principal contribuição veio do cigarro, cujos preços subiram 14% após reajustes iniciados em 1º de agosto.

Alimentos voltam a subir

Os preços dos alimentos também voltaram a pressionar o índice, após dois meses seguidos de queda. O grupo Alimentação e bebidas avançou 0,40% em setembro, enquanto a alimentação consumida em casa subiu 0,38%, depois de recuar 0,97% em agosto.

Entre os principais aumentos, o tomate ficou 20,76% mais caro. Também houve altas nos preços do arroz, de 2,39%, e das carnes, de 1,30%. Por outro lado, alguns produtos ajudaram a conter a pressão sobre o orçamento das famílias. O feijão-carioca ficou 6,33% mais barato, a cebola recuou 4,41% e o café moído teve queda de 1,36%.

A alimentação fora de casa subiu 0,44%. Nesse segmento, o preço das refeições acelerou, passando de uma alta de 0,25% em agosto para 0,38% em setembro. Já os lanches tiveram desaceleração, com avanço de 0,44%, ante 0,75% no mês anterior.