Finanças
Lula diz que clubes não podem ‘sobreviver às custas da dívida do povo’
Times divulgam carta criticando possibilidade de restrições a apostas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira que os clubes de futebol brasileiros não têm o direito de tentar sobreviver às custas da dívida do povo que torce para o time, reforçando sua posição de que pretende acabar com as apostas no Brasil.
Na semana passada, os clubes divulgaram uma nota criticando propostas de restrição às apostas on-line mencionadas pelo petista e seus aliados, uma vez que as bets se tornaram uma importante fonte de receita para os times.
A declaração foi feita por Lula em um ato eleitoral no Recife, ao lado de João Campos (PSB), candidato ao governo de Pernambuco, e horas antes do anúncio de medidas que visam combater as bets e o endividamento das famílias brasileiras.
— Os times de futebol mandaram uma carta para mim (dizendo) que se eu acabar com as bets, eu vou acabar com os times de futebol. Os times não têm o direito de querer sobreviver às custas da dívida do povo pobre que torce para o time. Vão ter que arrumar outro jeito de conseguir dinheiro, porque as bets vão acabar — afirmou Lula.
O presidente viajará para São Paulo ainda nesta sexta-feira e assinará uma medida provisória (MP) que encerrará as apostas no país às vésperas do primeiro turno. A MP proíbe cassinos on-line (como o jogo do tigrinho) e apostas de quota fixa (realizadas sobre eventos reais, como partidas de futebol), de acordo com auxiliares do presidente. Inicialmente, o governo considerou apenas proibir os cassinos, mas decidiu barrar todos os tipos de apostas on-line.
— Eu não vou pedir para levantar a mão quem está devendo por causa do jogo nas bets. Eu sei que tem muita gente devendo. Gente que pega dinheiro emprestado, usando recursos da comida dos filhos, gente que pega dinheiro do leite da criança e vai jogar. Tem muita gente doente por causa do jogo e endividada. E quero dizer a vocês que eu vou acabar com as bets — afirmou o presidente.
Lula também declarou que não considera correto o povo estar devendo, se matando e ficando doente por causa do jogo.
— Não é correto a gente gastar o que não tem para tentar ganhar o que não existe. Não dá para ficar acreditando em mentira — completou o petista.
Pedido a eleitores
Em seu discurso, Lula novamente pediu que os eleitores comparem as conquistas de seu governo com as de seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL), e criticou Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário na disputa. Ele enfatizou que a escolha que as pessoas devem fazer é se o país dará um passo para frente ou “um quilômetro andando para trás”.
— Eles criaram uma quadrilha da Previdência Social. Nós descobrimos a quadrilha, prendemos a quadrilha. E a quadrilha criada pelos Bolsonaro está presa. Em que governo aconteceu a maior corrupção financeira deste país? Um cidadão chamado Vorcaro, que eles transformaram em banqueiro, eu transformei em prisioneiro — declarou.
Em outro momento, afirmou que “votar na família Bolsonaro é votar no Vorcaro e na quadrilha que assaltou a Previdência Social”. Ele também resgatou o discurso da defesa da soberania brasileira, alegando que seu adversário “dorme enrolado na bandeira americana” e é traidor. O presidente disse que está percorrendo o país em agendas nos estados porque não permitirá que “esses bandidos voltem a governar”.
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