Finanças
Bets conta com nove milhões de apostadores mensais no Brasil
Apostas totalizam R$ 88 bilhões no primeiro semestre, com 84 empresas licenciadas que operam 193 marcas.
As empresas de apostas estão em pleno crescimento no Brasil, tanto em número de bets reguladas quanto em faturamento. Até o primeiro semestre deste ano, o Brasil contava com 84 bets licenciadas para oferecer apostas no país, gerenciando 193 marcas ativas. Considerando dados de 2025, a média mensal de apostadores recorrentes ativos no ano passado ficou em torno de 9,25 milhões de pessoas por mês. Mas o número de pessoas aptas a fazer apostas é bem maior.
Até setembro deste ano, havia 31,82 milhões de CPFs únicos com status ativo no cadastro do governo. Desses, 30,4 milhões de pessoas efetivamente realizaram ao menos uma aposta no primeiro semestre de 2026.
Comparação com 2025
Nos seis primeiros meses do ano passado, eram 77 operadoras e 159 marcas, de acordo com os números que constam no Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), uma plataforma oficial desenvolvida pelo Ministério da Fazenda. Os dados do setor no Brasil foram consolidados pela consultoria brmkt.co com base em informações oficiais do mercado regulado de apostas e iGaming no Brasil.
Essas empresas tiveram uma receita bruta (o chamado Gross Gaming Revenue - GGR) de R$ 20,28 bilhões nos primeiros seis meses do ano, alta de 6,2% em relação aos R$ 19,09 bilhões na comparação com igual período do ano passado. A receita bruta total de 2025 foi de R$ 40,69 bilhões. O GGR é o dinheiro que fica com a casa de apostas após o pagamento de todos os prêmios aos apostadores.
Pela legislação, uma parte desse dinheiro tem destino certo. Do volume arrecadado no primeiro semestre de 2026, R$ 2,49 bilhões foram destinadas obrigatoriamente por lei a políticas públicas, nos setores de Esporte (R$ 870,15 milhões), Turismo (R$ 677,52 milhões), Segurança Pública (R$ 329,08 milhões), Seguridade Social e Educação (R$ 493,84 milhões combinados), entre outros.
Destino incerto sobre outorgas já pagas
Autorizadas em 2018, durante o governo de Michel Temer, as bets atuaram sem nenhuma regulação até 2023, quando foi aprovada uma nova lei sobre o tema. O mercado regulado em si, por sua vez, só começou a valer em 2025, após a regulamentação infralegal do governo, a análise da Fazenda sobre as empresas autorizadas e o pagamento de outorga de R$ 30 milhões.
Hoje, todas as plataformas registradas no Brasil operam sob o domínio obrigatório .bet.br e a regulamentação brasileira de cota fixa (em que o apostador sabe exatamente quanto pode ganhar no momento em que faz a aposta) abrange tanto as apostas esportivas quanto os jogos on-line/iGaming (cassinos virtuais e jogos de slot/crash como o tigrinho) sob as mesmas autorizações.
Isso significa que, na prática, as principais operadoras licenciadas podem operar no chamado modelo integrado, oferecendo tanto apostas esportivas quanto cassino on-line na mesma plataforma. Nos dados oficiais consolidados pelo governo não há separação do faturamento por tipo de jogo.
O governo federal arrecadou R$ 2,5 bilhões em taxas de outorga fixa das empresas de apostas esportivas desde o início da regulamentação até meados de 2026. Não há definição ainda sobre o que vai acontecer com esse dinheiro, se ficará com o governo ou será devolvido às bets.
O valor de outorga por empresa é de R$ 30 milhões e a licença vale por cinco anos. Estima-se que o mercado ilegal ainda represente entre 38% e 44% do consumo total de apostas no Brasil, abaixo da estimativa anterior de 41% a 51%.
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