Finanças

TST decide que greve dos Correios não é abusiva e determina volta ao trabalho a partir de sexta-feira

Tribunal também confirmou reajuste de 4,09% retroativo a 1º de agosto

Agência O Globo - 24/09/2026
TST decide que greve dos Correios não é abusiva e determina volta ao trabalho a partir de sexta-feira
Correios

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu nesta quinta-feira que os trabalhadores dos Correios terão reajuste salarial de 4,09% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) retroativo a 1º de agosto e determinou o encerramento da greve a partir de sexta-feira. Os benefícios atrelados ao salário, como vale-refeição e bolsa-creche, também serão reajustados pelo mesmo percentual.

A decisão atende parcialmente ao pedido de dissídio coletivo da direção dos Correios em relação à abusividade da greve e à cobrança de multa das entidades representativas dos trabalhadores por não ter assegurado 80% do efetivo em atividade durante o movimento grevista. Assim, os dias parados não serão descontados, podendo ser compensados.

Em contrapartida, o TST determinou uma mudança no plano de saúde dos trabalhadores, proposta pela empresa para cortar gastos. A estatal deixará de ser mantenedora, ou seja, deixará de assumir todos os riscos do plano. Até que seja definido um modelo alternativo, permanecem válidas as regras atuais.

Em documento enviado ao TST, a direção dos Correios informou que a falta de pessoal estava comprometendo a operação da empresa.

"A insuficiência de pessoal em unidades de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e suporte compromete os elos interdependentes da cadeia postal", afirma.

O julgamento do dissídio começou na segunda-feira e foi suspenso para que representantes dos trabalhadores possam se manifestar sobre a nova reclamação da empresa.

Com o fim da greve, os Correios aguardam uma definição sobre o empréstimo de R$ 7 bilhões de um grupo de bancos, com garantia da União. No final do ano passado, a empresa precisou fazer outro empréstimo, no valor de R$ 12 bilhões nas mesmas condições para pagar dívidas atrasadas e regularizar a operação.