Finanças

Banco Central detalha corte da Selic para 13,75% em ata do Copom

Redução da semana passada foi a quinta em ciclo de alívio monetário

Agência O Globo - 22/09/2026
Banco Central detalha corte da Selic para 13,75% em ata do Copom
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Banco Central detalhou, na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira, a decisão de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, passando de 14% para 13,75% ao ano, na semana passada.

Desde o início do ciclo de corte de juros, em março, o BC tem adotado essa medida de alívio monetário frente a fortes incertezas no cenário, como a guerra no Oriente Médio, o El Niño e as dúvidas sobre a velocidade da desaceleração da atividade econômica.

No comunicado após a reunião da semana passada, o BC sinalizou a desaceleração recente da atividade econômica e da inflação no Brasil, mantendo a postura de não oferecer previsões para as próximas reuniões devido aos riscos em torno do cenário inflacionário. O próximo encontro ocorre nos dias 3 e 4 de novembro.

"O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário para garantir a convergência da inflação à meta", afirmou o comunicado do Copom da semana passada.

O comitê calibra a Selic para atingir a meta de inflação de 3% ao ano, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Na última reunião, o Copom atualizou suas projeções oficiais para o IPCA.

Para o prazo atual de atingimento da meta de 3,0%, a projeção foi mantida em 3,2% desde o Copom de agosto. Contudo, para o final de 2026, houve um aumento na projeção, passando de 5,1% para 5,2% – acima do limite de tolerância da meta – e também para o término de 2027, aumentando de 3,8% para 3,9%.

Essas estimativas foram realizadas com base na trajetória da taxa Selic extraída do Boletim Focus, que atualmente projeta 13,75% para o final de 2026 e 12% para o encerramento de 2027. Assim, a projeção de 3,2% para o IPCA no primeiro trimestre de 2028 considera uma Selic de 13,75% ao fim deste ano, além de uma taxa de câmbio que começa em R$ 5,15 e evolui segundo a paridade do poder de compra.

Ganho de confiança

Na análise sobre a inflação, após o IPCA de agosto (-0,32%) surpreender positivamente, a autoridade monetária ressaltou que a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram nas divulgações mais recentes, retornando ao intervalo da meta, embora ainda estejam acima de 3,0%.

Contudo, manteve a mensagem de que "monitora com atenção" a distância das expectativas de inflação em relação à meta. De acordo com o Boletim Focus, a mediana para o fim de 2026 é de 4,9% e para o término de 2027, de 4,3%. No Copom anterior, as projeções estavam em 5,0% e 4,2%.

Quanto à atividade econômica, o BC demonstrou maior confiança na desaceleração, ressaltando que o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião do Copom "mostra uma moderação gradual" da economia. Em agosto, o colegiado havia utilizado a expressão "sugere".

Um dos dados divulgados entre as duas reuniões do Copom foi o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, que registrou 0,5%, surpreendendo pela composição, com setores cíclicos, que respondem mais à política monetária, demonstrando fraqueza. Outros indicadores setoriais do terceiro trimestre mantêm essa tendência.

O BC também reiterou que continua a monitorar os desenvolvimentos da política fiscal doméstica, que impacta a política monetária e os ativos financeiros, "reforçando a postura de cautela em um cenário de maior incerteza". O colegiado não fez mudanças na análise sobre o ambiente externo, mesmo com o início do processo de alta de juros nos EUA.