Finanças

Uruguai cedeu ao Brasil cota de exportação de carne bovina para China, diz Lula

Frigoríficos brasileiros já esgotaram cota nacional para vender ao país asiático sem uma tarifa adicional de 55%

Agência O Globo - 22/09/2026
Uruguai cedeu ao Brasil cota de exportação de carne bovina para China, diz Lula
Lula - Foto: ANSA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (22) que o Uruguai cedeu ao Brasil parte da cota de exportação de carne bovina do país para a China, em meio ao esgotamento da cota nacional de embarques de frigoríficos brasileiros para o país asiático neste ano.

"Agradeci a autorização concedida ao Brasil para uso do excedente da cota uruguaia de exportação de carne bovina para a China", disse Lula, em uma publicação no X.

Lula se encontrou com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, em Nova York. A reunião bilateral aconteceu no contexto da Assembleia Geral da ONU, que será realizada nesta terça-feira.

"Tratamos de temas da agenda bilateral, em especial infraestrutura e comércio agrícola", escreveu Lula.

Em medida de proteção aos seus agricultores e produtores domésticos, no início de 2026, a China impôs cotas de importação de carne bovina. O Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo, esgotou as 1,1 milhão de toneladas da cota. Volumes adicionais estão sujeitos a uma tarifa de 55%.

Tratativas

Em nota, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) afirmou que avalia a tratativa por novas cotas como “positiva”. No entanto, a entidade destacou que a ação terá efeito limitado sobre a exportação do produto ao país asiático.

"Neste momento, porém, um eventual aproveitamento do excedente da cota uruguaia teria efeito limitado em 2026, considerando o tempo necessário para negociação, embarque e trânsito da mercadoria até a China", afirmou a Abiec em nota.

Isso acontece porque, a partir de novembro, as exportações enviadas à China já devem levar em conta as cotas de 2027, já que as embarcações levam de dois a três meses para chegar ao destino.

"Para 2027, a medida pode representar uma alternativa importante, especialmente diante da cota brasileira de 1,128 milhão de toneladas e do risco de seu esgotamento já nos primeiros meses do ano, caso se mantenha o atual ritmo de vendas", acrescentou a Abiec.