Finanças

Com resíduo do milho, o agro agora já está até no asfalto

Petrobras produz cimento asfáltico de petróleo com conteúdo renovável

Agência O Globo - 22/09/2026
Com resíduo do milho, o agro agora já está até no asfalto
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Quem dirige no Brasil pode ter passado nos últimos meses por um asfalto um pouco diferente. Não no aspecto, mas na composição. Desde 2025, a Petrobras começou a produzir cimento asfáltico de petróleo (CAP) com conteúdo renovável, utilizando um resíduo das agroindústrias de milho. O resíduo começou a ser usado neste ano como diluente na produção de asfalto na refinaria de São José dos Campos (SP), a Revap, substituindo derivados minerais fósseis.

Nova geração:

Alvorada 01:

O insumo é o óleo técnico de milho, conhecido como TCO, resultado do processamento e fermentação do cereal nas usinas que produzem etanol a partir do grão. O TCO é diferente do óleo de milho de cozinha e tem elevado nível de acidez, o que permite substituir diluentes de origem fóssil na produção do asfalto.

Os diluentes são usados na produção de cimento asfáltico para aumentar a penetração nas superfícies e reduzir a viscosidade, explica Carolina Oliveira, gerente de Planejamento de Marketing e Inteligência de Mercado da Petrobras.

Manteiga:

Parque industrial

Até o momento, a Petrobras já produziu 95 mil toneladas de CAP renovável, o que seria suficiente para asfaltar uma distância equivalente à ida e volta entre São Paulo e Rio. O uso de matéria-prima renovável está longe de ser representativo na produção de asfalto na Petrobras, e responde, no momento, por entre 1% e 2% das matérias-primas usadas.

Ainda assim, a Petrobras optou por matéria-prima cujo mercado oferecia garantia de oferta elevada e constante. A oferta do TCO cresce na esteira da ampliação do parque industrial de etanol de milho.

Raro fora do Japão:

A instalação de usinas de milho, principalmente no Centro-Oeste, para aproveitar a sobreoferta do cereal, fez com que a capacidade industrial de etanol de milho no país crescesse 7.121% em dez anos, segundo dados da União Nacional do Etanol de Milho (Unem). Em média, o processamento de uma tonelada de milho gera 18 quilos de TCO.

— O TCO está em um bom momento de oferta, complementar ao etanol de milho — diz Carolina, da Petrobras.

A estatal formalizou contrato para comprar TCO da Inpasa, a maior produtora de etanol de milho do Brasil. O aumento da oferta tem permitido ao TCO ser “competitivo” em relação a outras opções, como o óleo de soja. Uma tonelada de TCO é comercializada em torno de R$ 6,5 mil.

Orgulho:

A vantagem do TCO, segundo Carolina, é a oferta em alta. Apenas a Inpasa, que está construindo duas usinas e expandindo uma terceira, deve aumentar sua capacidade total de TCO das 340 mil toneladas atuais para 450 mil toneladas até 2027, diz Rafael Verruck, diretor de Trading de Óleo e DDGS (grãos secos de destilaria) da empresa.

O TCO também é usado em algumas indústrias de biodiesel, diesel verde e de combustível sustentável de aviação (SAF).