Finanças

Transparência Internacional cobra investigação sobre influência do Master na CVM após mensagens de Vorcaro sobre Otto Lobo

Entidade elogiou decisão de Dino sobre regras da instituição, mas afirmou que ainda é necessário avançar nas investigações de relações do Master na CVM

Agência O Globo - 21/09/2026
Transparência Internacional cobra investigação sobre influência do Master na CVM após mensagens de Vorcaro sobre Otto Lobo

A ONG Transparência Internacional-Brasil afirmou nesta segunda-feira que a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino sobre a revisão das regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é um “avanço importante”.

No entanto, a entidade reafirmou a importância de uma investigação das influências do Banco Master na instituição, após Otto Lobo ter sido procurado pela reportagem, que negou ter buscado apoio do dono do Banco Master e disse que não tem “ingerência sobre conversas privadas de terceiros”.

“A decisão (de Dino) reconhece um ponto fundamental levantado pela TI Brasil: os problemas revelados pelo caso Banco Master vão muito além das limitações de orçamento e pessoal da CVM. Envolvem fragilidades regulatórias, de governança, controles internos e tratamento de denúncias”, escreve a entidade.

A Transparência Internacional ressaltou, por outro lado, a necessidade de avançar nas investigações sobre possíveis ingerências de servidores da CVM em casos relacionados ao Banco Master e ao ex-dono do banco, Daniel Vorcaro.

“Entre os fatos mais graves está o arquivamento, ainda em 2022, de denúncia que continha informações detalhadas sobre irregularidades posteriormente identificadas no caso Master.”

A entidade menciona a reportagem publicada nesta segunda-feira, sobre mensagens encontradas pela Polícia Federal, em que Vorcaro afirmou que atuaria para manter o advogado Otto Lobo na presidência da Comissão.

O advogado Ciro Soares relatou que Lobo havia pedido ajuda para tentar chegar ao senador Otto Alencar (PSD-BA). O parlamentar negou ter atuado a favor de Lobo.

“Fortalecer a CVM exige recursos, melhores regras e governança, mas exige também independência, integridade, transparência e responsabilização. Sem esclarecer como uma fraude dessa magnitude pôde avançar por anos diante de alertas já existentes e sem apurar eventuais responsabilidades individuais, a resposta institucional ao caso Master permanecerá incompleta”, completa a nota.