Finanças
Em dois dias, demanda no BNDES por crédito do Brasil Soberano chega a R$ 8,2 bi
Pedidos de empréstimos para a terceira fase do programa de socorro para exportadores afetados pelo tarifaço dos EUA começaram a ser protocolados na última quinta-feira, e R$ 1,7 bilhão já foi aprovado.
Em dois dias, na quinta e na sexta-feira, o BNDES recebeu R$ 8,2 bilhões em pedidos de crédito na terceira edição do Plano Brasil Soberano, o programa de socorro a empresas exportadoras afetadas por sobretaxas impostas pelos EUA — e que, desde os ataques americanos e israelenses contra o Irã, foi ampliado para outros setores afetados pelo conflito. Do total de pedidos, R$ 1,7 bilhão já foram aprovados, informou o banco de fomento.
Eleições:
Endividamento:
A nova edição do programa tem disponível R$ 22,6 bilhões. Inicialmente, a nova fase teria um total de R$ 18,5 bilhões, sendo que R$ 13,5 bilhões viriam do Tesouro Nacional, e R$ 5 bilhões, do BNDES, mas, no início do mês, o banco de fomento anunciou a ampliação da sua parte, para R$ 9,1 bilhões.
O BNDES . A terceira fase do Brasil Soberano, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
138 pedidos protocolados
Segundo o BNDES, os R$ 8,2 bilhões estão em 138 pedidos protocolados entre os dias 17 e 18. Para o presidente do banco, , “o volume de pedidos recebidos demonstra que existe demanda por financiamento para enfrentar” os obstáculos criados pelo tarifaço e pelos efeitos colaterais da guerra no Irã.
Os R$ 22,6 bilhões da terceira fase do programa serão divididos da seguinte forma:
R$ 8,8 bilhões, para exportadores e seus fornecedores afetados pela aplicação de percentuais majorados de tarifas pelos EUA;
R$ 6,8 bilhões, para exportadores e seus fornecedores que exportam para países do Golfo Pérsico, região afetada pelo conflito no Oriente Médio;
R$ 1 bilhão, para empresas atuantes em setores industriais relevantes ao comércio exterior brasileiro;
R$ 4 bilhões, para empresas atuantes em atividades relacionadas à fabricação de adubos e fertilizantes ou de intermediários para fertilizantes;
R$ 2 bilhões, para empresas atuantes em atividades industriais e tecnológicas na cadeia de minerais críticos e estratégicos, considerando as etapas de lavra (extração do minério do solo), desde que associada a processos de beneficiamento, refino ou de transformação de minerais.
No fim de agosto,.
Na primeira leva de aprovações, investimentos em “setores industriais relevantes” receberam mais empréstimos do que as empresas afetadas pelo tarifaço. O R$ 1,7 bilhão em empréstimos aprovados foi assim dividido:
R$ 794 milhões foram para empresas do grupo 2, formado por setores industriais relevantes (têxtil, químico, farmacêutico, minerais estratégicos e fertilizantes, entre outros);
R$ 680 milhões envolvem empresas do grupo 1 e seus fornecedores afetados pelas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos;
R$ 251 milhões em aprovações para empresas do grupo 3 e seus fornecedores, que exportam para países do Golfo Pérsico; e
R$ 683 milhões foram para empresas do segmento de fertilizantes.
Tipos de linhas de crédito
As linhas de financiamento abrangem os seguintes fins:
capital de giro;
capital de giro para exportação;
aquisição de bens de capital ou investimentos para adaptação de atividade produtiva;
investimentos que propiciem a ampliação da capacidade produtiva ou o adensamento da cadeia de produção;
investimento em inovação tecnológica ou adaptação de produtos, serviços e processos; entre outras hipóteses definidas pelos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Juros abaixo das taxas de mercado
As condições de crédito, com juros abaixo das taxas de mercado, são as seguintes:
9,8% ao ano, na linha de capital de giro para grandes empresas;
8,3% ao ano, na linha de capital de giro para micro, pequenas e média empresas;
8,3% ao ano, para empresas de todos os portes na linha de capital de giro voltado à exportação;
8% ao ano, para empresas de todos os portes na linha para aquisição de bens de capital;
6,5% ao ano, para empresas de todos os portes na linha para investimento;
3% ao ano, na linha de crédito específica para minerais críticos.
Recursos de fases anteriores
No lançamento da terceira fase do Brasil Soberano, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que, na parcela que cabe ao Tesouro, o governo estava aproveitando recursos que já foram mobilizados pelo BNDES e que não foram utilizados, nas duas fases anteriores do programa.
Apesar da ampliação de recursos pelo BNDES, segundo Durigan afirmou na ocasião, não necessariamente todo o valor disponível seria emprestado, pois “vamos usar quando a demanda aparecer”.
No Brasil Soberano 2, anunciado em março, aconteceu coisa parecida. O programa foi lançado com R$ 15 bilhões do FGE, o fundo federal que garante o crédito ao comércio exterior, e, .
Lançamento 1 ano atrás, com R$ 40 bi
O Brasil Soberano foi lançado em agosto passado, com um total de R$ 40 bilhões, e começou a operar em setembro. Do total de recursos, R$ 30 bilhões vieram do FGE e R$ 10 bilhões de recursos próprios do BNDES.
Apesar das cifras bilionárias, os empréstimos aprovados até meados de dezembro somaram R$ 16,2 bilhões, menos da metade do valor total disponível.
A primeira edição do programa se encerrou porque a MP que o criou perdeu a validade, já que não foi convertida em lei pelo Congresso dentro do prazo previsto.
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