Finanças

Mauro Vieira diz que razões para tarifas dos EUA não são legítimas

Chanceler se encontra com Jamieson Greer na plenária da OCDE e afirma que o Brasil entregou todos os argumentos necessários para provar que país não deve ser alvo das sobretaxas americanas

Agência O Globo - 04/06/2026
Mauro Vieira diz que razões para tarifas dos EUA não são legítimas
O chanceler Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores - Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O chanceler Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, afirmou nesta quinta-feira (dia 4) em Paris que o Brasil rebateu com provas todos os argumentos utilizados pelos Estados Unidos para justificar a imposição de tarifas ao país, e que as razões apresentadas pelo governo americano "não são legítimas". A declaração foi dada à GloboNews.

Vieira confirmou que conversou com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, com quem participou de um encontro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

— Conversamos, ele disse que estavam tendo ótimas conversas com o Brasil. Eu disse que é do nosso interesse manter conversas sobretudo depois dos anúncios, dos laudos, dos relatórios finais das duas investigações sobre a seção 301.Ele disse que estava pronto para continuar a conversa e que sempre o diálogo tinha sido muito bom — disse Vieira à GloboNews em Paris.

No relato sobre a conversa Vieira também disse a Greer que os países seguirão “conversando e acertando”.

— Demos todas as informações necessárias, o que nós esperamos é que isso tudo seja levado em conta e que fique comprovado que não há por que sermos objetos de tarifas porque todos os argumentos apresentados nós provamos que não são legítimos.

Segundo Vieira, ele também lembrou a Greer que as recomendações de tarifas foram apresentadas antes do fim do prazo acertado entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump durante reunião realizada em Washington, no início de maio. Na ocasião, os dois líderes estabeleceram um período de 30 dias para que os governos buscassem uma solução negociada para as divergências comerciais.

O encontro ocorreu dias após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) recomendar a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e anunciar uma nova proposta de sobretaxa relacionada a alegações de falhas no combate ao trabalho forçado, calculada em 12,5%.

De acordo com integrantes da comitiva brasileira, a conversa aconteceu à margem da reunião ministerial da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris. Interlocutores disseram que Greer se aproximou do chanceler antes de um dos painéis do evento para um breve cumprimento.

Durante a conversa, o representante comercial americano afirmou que o governo dos Estados Unidos mantém um diálogo fluido com o Brasil e que pretende continuar as negociações em andamento.