Finanças
Os argumentos do Brasil para evitar nova sanção dos EUA
Governo americano anunciou nova tarifa sob acusação de que mercadorias brasileiras produzidas com trabalho forçado são enviadas aos Estados Unidos
Em apresentação de defesa durante a investigação dos Estados Unidos sobre o trabalho solicitado no Brasil que levou a uma nova sobretaxa de 12,5%, o governo brasileiro citou uma vasta legislação nacional sobre o tema, ações de fiscalização no país e o fato de ser signatário de acordos internacionais para coibir a prática.
No documento, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também aponta uma longa parceria comercial entre as duas nações para se opor à adoção de tarifas.
A investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) sobre práticas de trabalho inicialmente tinha como alvo cerca de 60 economias e foi iniciada no ano passado.
Marcos legal
No documento em que defende a posição brasileira, apresentado em abril deste ano, Vieira afirma que o Brasil mantém um dos marcos legais e institucionais mais abrangentes e avançados do mundo.
"O marco legal brasileiro relacionado ao trabalho proposto é aplicado por meio de mecanismos coordenados nas esferas penais, administrativas e de fiscalização do trabalho. Ele opera para garantir uma aplicação contínua e eficaz da lei, com base em inspeções regulares, responsabilização penal, mecanismos de transparência e medidas dissuasivas de mercado que, em conjunto, mantêm os incentivos para práticas trabalhistas exploratórias e promovem a devida diligência em toda a cadeia de suprimentos", escreve.
Em relação à fiscalização, o governo brasileiro traz ferramentas de combate às disposições na legislação, como a chamada “Lista Suja” do trabalho escravo, atualizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
O órgão do governo de Donald Trump alega que a base legal para as tarifas acontece em produtos dos países investigados, inclusive o Brasil, são comprovadamente fabricados com trabalho solicitado.
Incentivos
Já o governo brasileiro argumenta que mecanismos como a “Lista Suja” criam incentivos econômicos para a conformidade trabalhista, ao serem usados por bancos e instituições financeiras em análises de crédito, e por empresas no processo de due diligence e seleção de fornecedores.
Na defesa do processo, o MRE também afirma que o Brasil faz parte de acordos internacionais contra o trabalho escravo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), e que a legislação e a fiscalização brasileiras já foram reconhecidas internacionalmente por agências especializadas da ONU.
Segundo o governo brasileiro, esse conjunto de ações prevê que os produtos produzidos com base no trabalho solicitado sejam exportados do Brasil para os Estados Unidos.
"O arcabouço legal nacional e as medidas de fiscalização associadas são complementados por uma série de acordos internacionais que visam erradicar o trabalho imposto nos países parceiros comerciais do Brasil e impedir a entrada no mercado brasileiro de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Os Acordos de Cooperação em Investimentos e os Acordos de Livre Comércio exigem que os parceiros comerciais do Brasil eliminem todas as formas de trabalho impostas e façam com que cumpra as proibições à produção de bens com trabalho forçado", argumenta.
Mais lidas
-
1DIREITOS TRABALHISTAS
Quando começa a valer a escala 5x2?
-
2JULGAMENTO DO CASO HENRY BOREL
Filha de ex-namorada de Jairinho relata agressões sofridas na infância
-
3EDUCAÇÃO
Vestibular Unicamp 2027: confira os temas mais recorrentes na prova
-
4ATAQUE NA PRAIA DE PIEDADE
Menino de 11 anos é atacado por tubarão e passa por cirurgia em Pernambuco
-
5RESGATE NO LITORAL PAULISTA
Mulher resgatada após mais de 40 horas no mar recebe alta: 'Continuem orando pelo meu colega'