Finanças
Governo recebe 'com indignação e entende ser muito injusta' proposta de novo tarifaço dos EUA, diz Alckmin
Encontro foi convocado horas após os Estados Unidos concluírem investigação comercial e proporem tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras
O vice-presidente afirmou que o governo recebeu com “indignação e entende ser muito injusta” a. A fala foi feita após uma reunião de emergência para discutir a resposta ao governo dos Estados Unidos.
Ele afirmou que o governo Lula vai trabalhar para que a recomendação não se concretize.
– O governo brasileiro recebe com indignação e entende ser muito injusta a proposta do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos). Na seção 301, a primeira colocação se refere ao Pix, que é um patrimônio nacional, conquista do povo brasileiro, a serviço da sociedade, sem nenhum custo para as empresas – disse.
O vice-presidente disse que o está aberto às questões das big techs e que empresas nacionais e estrangeiras têm o mesmo tratamento no Brasil. Afirmou também que o acordo do Mercosul com a Índia e o México não restringe a compra de produtos americanos e disse que o Brasil nesses últimos 20 anos aprovou 30 dispositivos de combate à corrupção. São pontos críticos pelos EUA.
Outros pontos de crítica são as patentes e o acesso do mercado brasileiro ao etanol americano.
– Não, Brasil. 30% das patentes aqui são americanas, o maior beneficiado de todo trabalho de reconhecimento de patentes são as empresas americanas. Em relação ao etanol, temos uma tarifa muito próxima aos Estados Unidos. No caso do açúcar, só temos uma cota de 50 mil toneladas, o que passar disso, você tem US$ 340 dólares a mais. Então, há um desequilíbrio total em prejuízo do nosso país.
Participaram do encontro desta terça-feira o vice-presidente Geraldo Alckmin, os ministros (Fazenda) e Márcio Elias (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), além de representantes do Itamaraty. O chanceler não participa porque está em viagem ao exterior.
Argumentos:
Minerais críticos, superávit comercial e combate ao crime:
Uma reunião horas após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) com base na recomendação da aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com propostas para uma série de itens.
O relatório divulgado pelo governo americano afirma que certas políticas e práticas do Brasil seriam "irrazoáveis" e prejudicariam as empresas dos Estados Unidos. Entre os pontos citados estão o Pix, questões relacionadas ao comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate ao desmatamento e corrupção.
Míriam Leitão:
Nos bastidores, membros do e classificaram como "absurda" a inclusão de alguns argumentos apresentados pelos americanos. Ao mesmo tempo, auxiliares do presidente Lula avaliaram que o resultado poderia ter sido mais severo, já que a tarifa sugerida ficou em 25% e o documento prevê uma ampla lista de abordagens, além de mencionar a possibilidade de um acordo entre os dois países.
A expectativa é que o encontro desta terça-feira sirva para alinhar a estratégia do governo diante da nova escalada comercial. Entre as alternativas em análise estão a manutenção das negociações com Washington, por meio do grupo de trabalho criado após a reunião entre Lula e em maio, e possíveis medidas de resposta com base nos instrumentos previstos pela Lei da Reciprocidade Econômica.
Sobretaxa dos EUA:
O parecer do USTR abre agora uma sobre a adoção das avaliações comerciais. O prazo legal para conclusão do processo termina em 15 de julho. Confira o calendário:
Veja abaixo os próximos passos:
Até 22 de junho de 2026: Prazo máximo para o envio de transações de comparação à audiência pública, acompanhado de um resumo do depoimento.
Até 1º de julho de 2026: Prazo para o envio de comentários por escrito sobre as medidas propostas pelo USTR.
6 de julho de 2026: Realização da audiência pública oficial pelo USTR para debater as ações propostas.
15 de julho de 2026: Prazo limite legal para a definição e aplicação das medidas corretivas contra o Brasil.
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