Finanças
Copa aquece negócios da beleza nas comunidades
Unhas decoradas, cílios coloridos, maquiagens temáticas e cortes personalizados ajudam a aquecer a economia local e a espalhar o clima de torcida nas favelas
A Copa do Mundo de 2026, que será disputada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, no México e no Canadá, já movimenta o cotidiano das comunidades do Rio. Enquanto os moradores retomam tradições como pintar ruas, profissionais da área da beleza se preparam para uma temporada de aumento na procura por serviços temáticos inspirados na seleção brasileira.
Nas favelas, a preparação para assistir aos jogos também passa pela autoestima, pela socialização e pela valorização da criatividade local. Tranças adornadas com miçangas nas cores do Brasil, maquiagens coloridas, personalizadas, unhas decoradas e cortes com desenhos inspirados no esporte estão entre as tendências que prometem ganhar espaço nos dias que antecedem as partidas da seleção.
Para quem trabalha com beleza, a Copa representa uma oportunidade de ampliar a renda, conquistando novos clientes e fortalecendo a presença nas redes sociais. Em territórios historicamente marcados pela produção cultural e pela criatividade, o torneio também impulsionou pequenos empreendimentos que encontram na estética uma forma de expressão e pertencimento.
Expectativa de movimento e renda extra
Na Rocinha, a trancista Luiza Nascimento, de 27 anos, acredita que as tranças nagô e os modelos soltos decorados com miçangas verdes-amarelas estarão entre os serviços mais procurados.
Atendendo entre dois e seis clientes por dia, ela espera um aumento significativo da demanda durante os jogos do Brasil.
— A expectativa é grande. Todo mundo está animado para fazer algum penteado para acompanhar os jogos —, afirma.
A expectativa também é compartilhada pela trancista Carla Santana, do Complexo da Maré. Atendendo clientes em domicílio, ela acredita que a proximidade dos jogos deve contribuir para a procura pelas tranças nagô, especialmente por suas peculiaridades e possibilidade de personalização com acessórios verdes-amarelos.
Para Luiza, a Copa também é uma vitrine para o trabalho de profissionais de beleza. Segundo ela, muitas pessoas buscam um visual especial para entrar no clima da competição e acabam conhecendo novos serviços por meio das redes sociais.
A percepção é compartilhada por Daniela Azevedo, maquiadora e designer de moda da Rocinha. Ela relata que já observa procurar por agendamentos nas datas dos jogos e apostar em maquiagens com cores vibrantes inspiradas no evento.
— Muitos clientes aproveitam esses momentos para se produzirem e se sentirem mais arrumados. É uma forma de elevar a autoestima —, diz uma maquiadora.
No Complexo da Maré, a designer de seleção Vanessa da Silva compara o período da Copa ao movimento registrado no fim do ano, tradicionalmente uma das épocas mais fortes para o setor.
— As pessoas se animam, se reúnem para ver os jogos na casa de parentes ou em bares da comunidade. Isso muito movimenta a área da beleza e ajuda bastante no faturamento —, conta.
No Complexo do Alemão, a designer de inteligência e sobrancelhas Michele Cout observa um crescimento constante da procura por procedimentos sempre que haja eventos de grande repercussão. Ela atende entre 25 e 30 clientes por semana e acredita que o número pode aumentar durante o Mundial.
Entre os serviços mais procurados nas comunidades está o lash lifting, técnica que valoriza os naturais. Para quem deseja entrar no clima da competição, profissionais de beleza também têm aplicações coloridas inspiradas nas cores da bandeira brasileira.
Além do visual: laços da torcida
Mais do que uma questão estética, os profissionais destacam a relação entre beleza, confiança e convivência social durante a Copa. Segundo Luiza, os penteados ajudam a elevar a autoestima e muitas vezes tornam-se assunto entre amigos, familiares e vizinhos.
Nas barbearias, as características se repetem. Igor Barreto, barbeiro da Rocinha, conta que o movimento costuma aumentar nos dias que antecedem os jogos do Brasil. Entre os cortes mais pedidos estão degradados, estilos freestyle e desenhos inspirados no futebol.
— Muita gente quer assistir aos jogos já alinhados. A Copa é um momento de encontro entre amigos e família —, explica.
Segundo ele, o ambiente da barbearia se transforma durante o torneio. Conversas sobre escalações, expectativas e resultados ajudam a criar uma atmosfera de pertencimento coletivo.
— A barbearia acaba virando um espaço de convivência. A Copa representa união, alegria e sentimento de comunidade —, currículo.
A manicure Nathalia Freire, da Rocinha, também percebeu um fortalecimento dos laços comunitários nesse período. Ela espera aumentar de oito para até 12 atendimentos diários durante os jogos e aposta em unhas decoradas com a bandeira do Brasil e ao tão esperado hexacampeonato.
— A comunidade fica mais unida para enfeitar os comércios e as ruas. Surge aquele sentimento de esperança de que o hexa finalmente venha —, diz.
No Complexo do Alemão, a manicure Maria Glória descreve um clima semelhante. Durante os jogos, ela e os clientes acompanham as partidas vestidas com as cores da seleção.
— Quando sai um gol, todo mundo grita junto. É muito bom. A Copa deixa as pessoas mais alegres e empolgadas —, relata.
Profissionais da beleza das favelas cariocas enxergam na Copa não apenas uma oportunidade econômica, mas também um momento de fortalecimento da autoestima e da identidade coletiva construída nos territórios.
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