Finanças

Maior álbum da história da Copa gera desafio ambiental: como descartar os resíduos das figurinhas?

Empresa especializada de São Paulo recebe material de colecionadores e reaproveita a celulose na indústria

Agência O Globo - 30/05/2026
Maior álbum da história da Copa gera desafio ambiental: como descartar os resíduos das figurinhas?
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Quando a Panini iniciou as vendas das figurinhas e do álbum oficial da Copa do Mundo de 2026, o site da editora saiu do ar devido ao grande volume de acessos simultâneos. Trata-se do maior álbum já produzido pela empresa, com 980 cromos.

O tamanho exige a compra de mais figurinhas e, consequentemente, gera uma quantidade maior de resíduos. Surge então a questão: como descartar esse material corretamente? No site da editora, não há informações sobre a procedência do papel nem orientações de descarte. Com isso, muitos consumidores podem acreditar que o material deve ser jogado no lixo comum.

O verso da figurinha, aquele papel brilhante que normalmente vai direto para o lixo, é chamado tecnicamente de liner. Apesar da aparência simples, ele não pode ser encaminhado para a reciclagem convencional. Por ser composto por celulose e silicone, o material costuma ser considerado rejeito pelas cooperativas de reciclagem.

Única empresa na América Latina

Na América Latina, a Polpel, localizada em Guarulhos, na Grande São Paulo, é única do América Latina especializada na reciclagem desse tipo de material, segundo Ailton Alves, diretor-executivo da empresa. A companhia desenvolveu uma tecnologia capaz de separar a celulose do silicone, tornando a fibra novamente aproveitável pela indústria papeleira.

A história do reaproveitamento dos liners das figurinhas começou na Copa do Mundo de 2022. Na época, Patricia Meirelles e Sérgio Talocchi, pais de três crianças, passaram a se incomodar com a quantidade de resíduos gerada durante a tentativa de completar o álbum. Acostumados a separar o lixo e realizar o descarte de forma responsável, eles decidiram buscar uma solução para o material.

O casal já conhecia a Polpel por conta do trabalho da empresa na reciclagem dos rótulos da Natura, onde ambos trabalham. Patricia entrou em contato com Ailton Alves e sugeriu que os liners das figurinhas também fossem utilizados. Em seguida, criou um anúncio simples no WhatsApp e compartilhou a ideia nos grupos do condomínio e da escola dos filhos.

— Falamos que quem quisesse descartar, íamos colocar um balde aqui na nossa porta. Isso foi em um domingo à tarde. No dia seguinte, eu achei até que tinham clonado meu número, porque recebi muita mensagem de gente querendo participar — relembra.

Naquele ano, eles conseguiram um pequeno financiamento da empresa Valora para custear a coleta do material. Ao fim da campanha, quase um milhão de liners foram recolhidos para reciclagem adequada.

Segundo Ailton Alves, a iniciativa teve tanta adesão que o grupo decidiu repetir a ação nesta Copa, desta vez com mais planejamento e divulgação antecipada. Desde então, a empresa vem recebendo diariamente ligações de pessoas interessadas em estabelecer parcerias para ampliar a arrecadação.

O que mais chama a atenção, segundo ele, são as mensagens enviadas por crianças que passaram a participar ativamente da separação e do envio do material para reciclagem.

Economia circular na prática

Ailton Alves destaca a importância da economia circular durante todo o processo. Segundo ele, a celulose recuperada pode voltar à cadeia produtiva e ser utilizada na fabricação de novos papéis e produtos.

— É o que faz sentido. A reciclagem por si só não se justifica e não se viabiliza se a gente não falar de economia circular. Toda a cadeia precisa estar engajada e reaproveitar o material para produzir novos produtos — revela.

De acordo com o executivo, toda a receita obtida com a venda da celulose recuperada dos liners arrecadados nesta edição será revertida em doação para o GRAAC, hospital de São Paulo voltado ao tratamento de crianças e adolescentes com câncer.

Como a empresa considera inviável percorrer o país recolhendo o material, os colecionadores interessados devem encaminhá-lo pelos Correios ou realizar a entrega presencial em Guarulhos. A Polpel receberá os liners até o dia 10 de agosto.

Como enviar

Separe apenas os liners, sem as figurinhas, e armazene o material até reunir um volume que justifique o envio. Embale o material e envie pelos Correios ou entregue no endereço: Rua Padre Marcos 761 – Cidade Aracília – Guarulhos (SP) – CEP 07250-071.

Já os moradores da cidade de São Paulo podem descartar o material em um dos pontos de coleta, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h:

Colégio Oswald de Andrade – Unidade Cerro Corá. Rua Cerro Corá 2.375 – Alto da Lapa

Colégio Oswald de Andrade – Unidade Madalena. Rua Girassol 947 – Vila Madalena

Colégio Oswald de Andrade – Unidade Girassol. Rua Girassol 898 – Vila Madalena

Colégio Elvira Brandão – Unidade Chácara. Rua Paulo Assunção 97 – Santo Amaro

Colégio Elvira Brandão – Unidade Morumbi. Rua Marechal Hastimphilo de Moura 27 – Vila Suzana

Colégio Piaget — Rua Epaminondas Melo do Amaral 156 – Imirim