Finanças

Déficit do governo atinge R$ 73,7 bilhões em março, maior valor histórico para o mês

Resultado negativo foi impulsionado pelo pagamento concentrado de precatórios, informa Tesouro Nacional

Agência O Globo - 29/04/2026
Déficit do governo atinge R$ 73,7 bilhões em março, maior valor histórico para o mês
Tesouro Nacional - Foto: Arquivo

As contas do governo central — que englobam Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social — registraram déficit primário de R$ 73,7 bilhões em março, conforme divulgado pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira (24). Trata-se do pior resultado para o mês desde o início da série histórica, em 1997.

No mesmo mês do ano passado, o governo havia obtido um superávit de R$ 1,5 bilhão. Já no acumulado do primeiro trimestre de 2026, o déficit somou R$ 17,1 bilhões, enquanto de janeiro a março de 2025 foi registrado superávit de R$ 55 bilhões.

O resultado de março foi composto pelo déficit conjunto de R$ 24,6 bilhões do Tesouro Nacional e Banco Central, além de um déficit de R$ 49,2 bilhões da Previdência Social.

O desempenho das contas públicas é fundamental para o cumprimento da meta fiscal, que para este ano prevê superávit de 0,5% do PIB — equivalente a R$ 73,2 bilhões —, com faixa de tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos. Assim, o superávit pode variar entre R$ 36,6 bilhões e R$ 109,8 bilhões.

Segundo o Tesouro, o principal fator para o déficit recorde foi o pagamento dos precatórios (dívidas judiciais da União), que em 2026 se concentrou em março, ao contrário do ano anterior, quando ocorreu principalmente em julho.

“Esse fator calendário impactou fortemente as rubricas de Sentenças Judiciais e Precatórios (+R$ 34,9 bilhões), de Benefícios Previdenciários (+R$ 28,6 bilhões) e de Pessoal e Encargos Sociais (+R$ 11,3 bilhões). A elevação nessas duas últimas rubricas, nas quais as sentenças judiciais responderam por cerca de 84% e 78% do aumento, respectivamente”, detalhou o Tesouro.