Finanças
Potência em renováveis, Brasil ainda enfrenta obstáculos para liderar transição energética global
Evento do GLOBO e do Valor discute papel dos minerais críticos e desenvolvimento da indústria verde como caminhos para a transição
Embora o Brasil possua uma matriz energética mais limpa que a média global e grande potencial em energias renováveis, ainda enfrenta desafios para se consolidar como liderança na transição energética mundial. A avaliação foi feita por autoridades e especialistas durante o evento "O Brasil como potência na energia limpa", realizado nesta quarta-feira em Brasília.
O encontro marcou a primeira edição presencial do projeto Transição Energética, uma iniciativa do GLOBO e do Valor Econômico, com patrocínio da Vale. A discussão foi transmitida ao vivo no YouTube e no Facebook dos jornais. Os especialistas destacam entraves que dificultam o protagonismo brasileiro na transição energética global, como o baixo adensamento da cadeia produtiva do setor e os desafios na exploração de minerais críticos.
O lugar do Brasil no cenário global
A mesa de abertura, intitulada "O lugar do Brasil no mapa global da transição", abordou como o país é visto internacionalmente no contexto da transição energética. Foram apresentadas vantagens comparativas, como matriz elétrica limpa, recursos naturais abundantes e escala, além dos limites que ainda impedem o Brasil de assumir uma posição de liderança global.
Minerais
A importância dos críticos minerais foi ressaltada pela sua importância na produção de carros elétricos, painéis fotovoltaicos, semicondutores e turbinas eólicas, essenciais para a transição energética.
O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de minerais críticos, ficando atrás apenas da China. Diante desse cenário, o Congresso Nacional discute um projeto para estabelecer uma política nacional para o setor. O deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), presidente da Comissão de Transição Energética da Câmara e relator da proposta, enfatizou que o desenvolvimento da cadeia produtiva é uma das diretrizes do projeto.
— O jargão óbvio é que o Brasil não pode ser um mero exportador de commodities, mas deve buscar as etapas superiores de tratamento aqui. Também buscaremos abrir espaço para investimentos e recursos, venham de onde virem. O parecer que ganhará é no sentido do Brasil ter uma visão ampla e buscar parcerias plurais — afirmou o deputado.
Eletrificação e transportes
Nesse contexto, André Luís Ferreira, diretor-executivo do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), destacou que o Brasil deve seguir a tendência global de expansão da eletrificação nos próximos anos, especialmente no setor de transportes, um dos principais responsáveis pela poluição no país.
— Se você analisar o consumo de combustíveis fósseis no Brasil, mais de 50% está no transporte, quase 60%. Desse total, metade está em caminhões e transportes de longa distância; Atualmente, os trens emitem tanto quanto todo o setor elétrico. O Brasil tem um programa bem-sucedido de bicombustíveis, mas o grande desafio é não transportar carga de longa distância — explicou o especialista.
Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a venda de veículos eletrificados vem crescendo no Brasil, que registrou a colocação de 100 mil carros movidos a energia nos primeiros três meses deste ano. Esse avanço, no entanto, ainda está concentrado nos transportes de curta distância.
Desenvolvimento tecnológico
Além da produção de materiais voltados para a transição, outro fator que pode posicionar o Brasil como protagonista mundial é o desenvolvimento de tecnologias capazes de mitigar danos ambientais, conforme destacado Alexandre Strapasson, professor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (UnB).
— Temos experiência em engenharia nesse processo e a oportunidade de catalisar investimentos nessa direção. Nossa indústria de tecnologia pode ser impulsionada por energias renováveis. Podemos desenvolver soluções para remover carbono da atmosfera, como reflorestamento em larga escala e bioenergia, além de viabilizar mercados de carbono que são mais custosos em outros países — avaliou o professor.
Mais lidas
-
1ANÁLISE MILITAR
Caça russo Su-35S é considerado superior ao F-16 e F-22 por especialista
-
2CULTURA
Marcello Novaes participa de show da banda dos filhos Diogo e Pedro
-
3POLÍTICA PÚBLICA
Alagoas é o primeiro estado a aderir à Conferência Nacional do Ministério da Pesca e Aquicultura
-
4POLÍTICA E ECONOMIA
Lindbergh critica postura de Galípolo e aponta corporativismo no caso Banco Master
-
5FUTEBOL
Náutico vence a Ponte Preta e fica na parte de cima da tabela da Série B do Brasileirão