Finanças
Fila do INSS diminui, mas ainda preocupa e pressiona governo
Redução recente ocorre após mudança na gestão e esforços para agilizar análise de benefícios
A fila de pedidos em análise no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) diminuiu em mais de meio milhão nos últimos dois meses, passando de 3,1 milhões, em fevereiro, para 2,6 milhões em abril, conforme dados apresentados nesta terça-feira.
O processo de redução teve início em março, ainda sob a gestão do ex-presidente do INSS, Gilberto Waller, quando o estoque de pedidos caiu de 3,1 milhões para cerca de 2,7 milhões. Apesar desse recuo inicial, o elevado volume de solicitações continuou sendo alvo de críticas e contribuiu para o desgaste que resultou na saída do então presidente.
A queda mais recente ocorre em meio a uma reorganização interna e ao aumento da cobrança por mais agilidade na análise dos benefícios.
Na prática, o problema afeta diretamente segurados que dependem de aposentadorias, pensões e auxílios, enfrentando longos períodos de espera. Em muitos casos, a demora levou à abertura de múltiplos pedidos para o mesmo benefício, numa tentativa de acelerar o processo ou corrigir erros — o que acabou por aumentar ainda mais a fila.
Para conter esse efeito, o INSS implementou uma nova regra que impede o segurado de abrir novo requerimento para o mesmo tipo de benefício enquanto houver outro em andamento, inclusive durante o prazo de recurso. Segundo o órgão, a medida visa reduzir o volume de processos repetidos, que sobrecarregam o sistema e atrasam a análise de novos pedidos.
Dados internos revelam que uma parcela significativa dos requerimentos reapresentados ocorre poucos dias após a primeira solicitação, gerando retrabalho e dificultando o avanço da fila. A expectativa é que, ao concentrar a análise em um único processo por vez, o fluxo se torne mais eficiente.
“Essa prática de abertura sucessiva de novos processos para o mesmo CPF, antes de esgotada a via recursal, gera múltiplos protocolos para a mesma demanda e sobrecarrega o sistema — em detrimento de quem ainda aguarda uma primeira análise”, destacou o INSS em nota.
Ao mesmo tempo, a medida exige mais atenção do segurado no momento do pedido inicial, já que não será possível abrir uma nova solicitação imediatamente em caso de erro ou documentação incompleta.
Plano para acelerar a queda
Durante reunião do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, afirmou que o governo pretende manter o ritmo de redução da fila nos próximos meses.
A principal aposta é um programa emergencial para acelerar as análises, com duração de 90 dias. A iniciativa prevê mutirões, ajustes nos sistemas internos e reforço das equipes, além da previsão de novas contratações por meio de concurso público.
A presidente do INSS, Ana Cristina Silveira, ressaltou que o objetivo é reduzir especialmente o número de processos com maior tempo de espera, considerados hoje o principal gargalo do sistema.
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