Finanças
Desigualdade: presença feminina cresce nas empresas, mas mulheres ainda ganham 21,3% a menos
Rio de Janeiro está entre os estados com maior disparidade de remuneração, aponta relatório do governo
A participação das mulheres no mercado de trabalho brasileiro avançou nos últimos anos, porém a desigualdade salarial entre homens e mulheres permanece significativa. É o que aponta o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado nesta segunda-feira (27).
Segundo o levantamento, mulheres que atuam no setor privado em empresas com 100 ou mais funcionários recebem, em média, 21,3% a menos que os homens. Os dados têm como base a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e abrangem cerca de 53,5 mil estabelecimentos em todo o país.
Em comparação com edições anteriores, a diferença salarial aumentou. No primeiro relatório, divulgado em março de 2024, a disparidade era de 19,4%. Apesar do crescimento, o Ministério do Trabalho e Emprego considera o cenário estatisticamente estável. Atualmente, a remuneração média feminina é de R$ 4.594,89, com salário de admissão mediano de R$ 2.295,36.
Estados com maior desigualdade
Dentre os estados brasileiros, o Rio de Janeiro figura entre os que apresentam maior desigualdade salarial, com índice de 71,2%. O estado fica atrás apenas do Paraná (71,3%) e à frente do Espírito Santo (70,7%).
Oito milhões de mulheres empregadas
O relatório destaca ainda o crescimento da participação feminina no mercado de trabalho. O número de mulheres empregadas aumentou 11%, passando de 7,2 milhões para 8 milhões. Entre mulheres pretas e pardas, o avanço foi ainda mais expressivo, chegando a 29%.
Apesar desse crescimento, a massa de rendimentos femininos subiu de 33,7% para 35,2%, ainda insuficiente para acompanhar a presença das mulheres no emprego formal. Para equilibrar essa relação, seriam necessários mais R$ 95,5 bilhões em rendimentos. De acordo com a Subsecretaria de Estatística e Estudos do Trabalho do MTE, um aumento de 10,6% nessa massa salarial poderia impulsionar o consumo das famílias e reduzir a desigualdade, mas isso representa um custo adicional para as empresas, o que dificulta a adoção dessas mudanças.
Avanços em inclusão e políticas internas
O levantamento também mostra avanços nas políticas de inclusão. O percentual de empresas que afirmam promover mulheres subiu de 38,8% para 48,7%. Houve crescimento também na contratação de mulheres indígenas, de 8,2% em 2023 para 11,2% em 2025, e de mulheres vítimas de violência, de 5,5% para 10,5%.
Desde 2023, com a Lei de Igualdade Salarial, empresas com 100 ou mais funcionários são obrigadas a adotar medidas para garantir equidade de gênero, como transparência salarial, canais de denúncia e programas de capacitação. A legislação determina que casos de discriminação salarial por sexo, raça, etnia, origem ou idade devem ser compensados com o pagamento das diferenças ao trabalhador prejudicado.
Mudanças nas políticas internas
O relatório aponta avanços nas políticas internas das empresas entre 2023 e 2025. A oferta de jornada flexível aumentou de 40,6% para 53,9%. O auxílio-creche passou de 22,9% para 38,4%, enquanto licenças-maternidade e paternidade estendidas subiram de 20% para 29,9%.
Além disso, a adoção de planos de cargos e salários cresceu de 55,5% para 66,8%, e a definição de metas de produção foi de 63,8% para 75,7%.
Mais lidas
-
1ANÁLISE MILITAR
Caça russo Su-35S é considerado superior ao F-16 e F-22 por especialista
-
2CULTURA
Marcello Novaes participa de show da banda dos filhos Diogo e Pedro
-
3POLÍTICA PÚBLICA
Alagoas é o primeiro estado a aderir à Conferência Nacional do Ministério da Pesca e Aquicultura
-
4POLÍTICA E ECONOMIA
Lindbergh critica postura de Galípolo e aponta corporativismo no caso Banco Master
-
5FUTEBOL
Náutico vence a Ponte Preta e fica na parte de cima da tabela da Série B do Brasileirão