Finanças

Em que lugar da fila do pão está o Brasil na economia circular? Veja a comparação com outros países

Enquanto China e UE aprofundam regulação e incentivos, Brasil ainda carece de instrumentos para mobilizar cadeias produtivas

Agência O Globo - 28/04/2026
Em que lugar da fila do pão está o Brasil na economia circular? Veja a comparação com outros países
Economia Circular

A economia circular já integra estratégias nacionais em mais de 100 países, mas poucos conseguem avançar rapidamente na implementação dessas políticas. Márcio Barreto, sócio de ESG da consultoria KPMG, destaca que, diferentemente dos avanços recentes na descarbonização, a economia circular é um tema mais complexo, que demanda investimentos, envolve múltiplos atores e interesses, além de enfrentar desafios como a informalidade e questões estruturais, como a gestão de resíduos. Para Barreto, o papel do Estado é fundamental para a transmissão desse processo.

— Acredito muito no sistema regulatório, que pode importar custos obrigatórios, mas como também precisa de benefícios fiscais e incentivos financeiros — afirma Barreto. — O maior obstáculo não é tecnológico, mas sim o modelo econômico e regulatório .

Na avaliação do especialista, embora a Política Nacional de Economia Circular (Pnec) não seja ideal, sua aprovação permitiria ao governo brasileiro aprofundar marcos e incentivos específicos para fomentar investimentos empresariais em transformação produtiva, garantindo condições mais equitativas. Barreto observa que esse movimento já ocorre em setores onde a economia circular se mostrou lucrativa, como energia de biomassa e construção civil.

Ele cita a China como exemplo de rápida mobilização de instrumentos governamentais para transformar a economia circular em estratégia nacional com aplicação prática:

— Dez anos equivalem a cem na China, em termos de tecnologia e normatização para o plano de economia circular em larga escala do país .

Nos Estados Unidos, as iniciativas ainda são pontuais e não há um plano nacional estruturado. Já a União Europeia (UE) se destaca pelo avanço significativo em seu marco regulatório de economia circular, o que pode beneficiar o Brasil, considerando o grande número de multinacionais europeias atuantes no país — empresas que precisarão adotar os princípios da economia circular também no território brasileiro, segundo Barreto.

Além disso, as companhias brasileiras serão cobradas por esses padrões nas relações comerciais com a UE, ressalta Gabriela Otero, gerente da Rede Brasil do Pacto Global da ONU. Para ela, falta capilaridade e agilidade às cadeias produtivas brasileiras para acelerar a transição:

— O risco deixa de ser uma ausência de política e passa a ser uma velocidade de execução. Com o avanço do Acordo UE-Mercosul, essa dinâmica tende a se intensificar, impondo padrões que as empresas brasileiras precisarão atender independentemente do ritmo nacional de implementação .