Finanças
Comprometimento de renda das famílias com dívidas atinge recorde de 29,7% em fevereiro
Nesse cenário, governo prepara lançamento do 'novo Desenrola' nesta semana
O comprometimento da renda das famílias brasileiras com o pagamento de dívidas subiu de 29,5% em janeiro (dado revisado) para 29,7% em fevereiro , segundos dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira. Trata-se do maior patamar desde o início da série histórica, em março de 2011. Mesmo desconsiderando os financiamentos imobiliários, houve alta de 27,2% para 27,4% no período, também um recorde.
Esse novo aumento reforça o argumento do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o lançamento do "Desenrola 2.0", uma nova versão do programa de renegociação de dívidas criado em 2023. A avaliação é que, apesar dos indicadores positivos da economia, o orçamento das famílias segue comprometido com o pagamento de dívidas, o que a influência determina a percepção sobre o governo.
A proposta do novo programa é permitir a troca de dívidas mais caras, como cartões de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia, por opções com juros mais baixos, provavelmente limitados a 1,99% ao mês. O governo planeja lançar o programa em 1º de maio, Dia do Trabalhador, com foco em pessoas que recebem até cinco atualizações mínimas e estão inadimplentes.
A definição da "idade" da dívida ainda está em discussão. Inicialmente, o governo atualmente limita a elegibilidade a atrasos entre 61 e 360 dias, enquanto o mercado sugere um prazo de 90 dias a três anos.
Os bancos que aderirem à iniciativa deverão concordar com descontos proporcionais ao tempo da diária, podendo chegar a 80% ou 90% para subsídios mais antigos, embora os percentuais finais ainda não definidos.
Para viabilizar os descontos e tornar o programa mais atraente, o governo deve garantir o novo crédito por meio do Fundo Garantidor de Operações (FGO). Assim, em caso de nova inadimplência, o Tesouro Nacional cobrará eventuais prejuízos dos bancos. O valor do apoio ao fundo ainda está em discussão, variando entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões.
Outra preocupação do governo é evitar que os beneficiários voltem a se individualizar no curto prazo. Por isso, deve ser inovador um trava de seis meses para apostas em sites de jogos (apostas) para quem aderir ao programa. Além disso, o Ministério da Fazenda discute com os bancos a possibilidade de “limpar o nome” dos inadimplentes somente após o pagamento da primeira parcela renegociada.
No Desenrola de 2023, uma das primeiras critérios aos bancos participantes foi a desnegativação automática de pessoas com dívidas de até R$ 100. A avaliação atual é de que essa medida gerou mais efeitos negativos do que positivos, pois muitos consumidores voltaram a se dividir rapidamente.
Mais lidas
-
1ANÁLISE MILITAR
Caça russo Su-35S é considerado superior ao F-16 e F-22 por especialista
-
2CULTURA
Marcello Novaes participa de show da banda dos filhos Diogo e Pedro
-
3FUTEBOL
Náutico vence a Ponte Preta e fica na parte de cima da tabela da Série B do Brasileirão
-
4POLÍTICA E ECONOMIA
Lindbergh critica postura de Galípolo e aponta corporativismo no caso Banco Master
-
5POLÍTICA PÚBLICA
Alagoas é o primeiro estado a aderir à Conferência Nacional do Ministério da Pesca e Aquicultura