Finanças

45% dos brasileiros dizem ter buscado renda alternativa nos últimos meses, aponta Datafolha

Levantamento indica que 59% consideram a renda familiar insuficiente para pagar despesas, enquanto 4 em cada 10 relatam perda de ganhos recentes

Agência O Globo - 27/04/2026
45% dos brasileiros dizem ter buscado renda alternativa nos últimos meses, aponta Datafolha
- Foto: Reprodução / Agência Brasil

Quase metade dos brasileiros, 45%, afirmou ter buscado alguma fonte alternativa de renda nos últimos meses, segundo levantamento do Datafolha. Uma pesquisa mostra ainda que 59% dizem que a renda familiar é insuficiente, em algum grau, para pagar as despesas, enquanto 4 em cada 10 entrevistados relataram redução de renda no período recente.

Em meio a abalo global,

'Economia do aborrecimento':

A percepção de abertura financeira é mais intensa entre os brasileiros com renda de até dois intervalos mínimos. Nesse grupo, 7 em cada 10 afirmam que o dinheiro que entra em casa não é suficiente para cobrir os custos do dia a dia, sinalizando um quadro de maior vulnerabilidade nas faixas de menor renda.

Mais escolarizados buscam renda extra

A busca por renda extra é mais frequente entre pessoas do ensino médio e superior, segundo a pesquisa.

A procura por renda complementar ocorre em um momento de mercado de trabalho aquecido, mas com remunerações consideradas insuficientes para sustentar o custo de vida, segundo especialistas. Esse descompasso levou parte dos brasileiros a buscar atividades paralelas para fortalecer o orçamento, inclusive fora do mercado formal.

Entre entrevistados com ensino fundamental, esse movimento aparece com menor intensidade, grupo em que há menos pessoas ocupadas ou em busca de emprego, além de maior presença de aposentados e donas de casa.

Já a perda de renda familiar se concentrou principalmente entre brasileiros de 35 a 44 anos, faixa em que quase metade ocorreu queda nos ganhos nos últimos meses, reforçando a pressão sobre o orçamento de uma parcela significativa da população.

O levantamento reuniu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais em 117 municípios brasileiros, nos dias 8 e 9 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Dois em cada três estão separados

Em pesquisa divulgada na semana passada, o Datafolha constatou que dois em cada três brasileiros (67%) têm algum tipo de dívida financeira, como empréstimos. O levantamento divulgado neste sábado revelou ainda que 21% da população está com pagamentos em atraso, evidenciando o avanço da inadimplência no país.

Entre os que recorreram a empréstimos com amigos e familiares, a situação é ainda mais crítica: 41% afirmam estar devendo. Já entre os principais tipos de dívida em atraso, o cartão de crédito parcelado liderado, citado por 29% dos entrevistados, seguido por empréstimos bancários (26%) e cartões de lojas (25%).

O uso do crédito rotativo — modalidade acionada quando se paga apenas o valor mínimo da fatura do cartão — também chama atenção. Segundo uma pesquisa, 27% dos brasileiros utilizam essa linha de crédito com alguma frequência, sendo 5% de forma recorrente. Considerado o crédito mais caro do mercado, o rotativo tem juros médios de 14,9% ao mês, de acordo com o Banco Central, com limite anual de 100% desde 2024.

O estudo também aponta que 28% dos brasileiros estão com contas de consumo e serviços em atraso. Entre os principais subsídios aparecem telefone, celular e internet (12%), tributos como IPTU, IPVA e carnê-leão (12%), além de contas de luz (11%) e água (9%).

A Dólar encerra sexta-feira a R$ 4,98,

A pressão financeira se reflete no cotidiano das famílias. Para enfrentar as dificuldades, 64% dos entrevistados afirmaram ter reduzidos gastos com lazer, enquanto 60% passaram a comer menos fora de casa ou trocaram marcas por opções mais baratas. Outros 52% afirmam ter diminuído a quantidade de alimentos comprados.

Além disso, metade dos brasileiros declarou ter reduzido o consumo de água, luz e gás, enquanto 40% deixaram de pagar alguma conta e 38% interromperam o pagamento de dívidas ou reduziram a compra de medicamentos.

O Datafolha também mediu o nível de aperto financeiro da população. O resultado mostra que 27% vivem em situação considerada “apertada” e 18% em condição “severa”, totalizando 45% dos brasileiros sob forte ou sem orçamento. Outros 36% estão em situação moderada, e apenas 19% se classificam como em condição leve ou sem restrições.

CNI:

As dificuldades financeiras parecem ser as principais preocupações pessoais dos brasileiros. Segundo o levantamento, 37% citaram problemas ligados a dinheiro, como falta de renda, individualização e custo de vida. A resposta mais frequente foi “questões financeiras/falta de dinheiro/renda”, apontada por 27% dos entrevistados.

Uma pesquisa também revela o peso do crédito no dia a dia: 57% dos brasileiros usam cartão de crédito, sendo que 13% parcelam compras de supermercado com frequência e 4% fazem o mesmo com contas básicas, como água e luz. Além disso, 5% afirmam pagar a fatura de um cartão com o limite de outro com frequência, enquanto 10% fazem isso ocasionalmente.

A percepção de que o crédito facilita o parcelamento também é alta: 68% concordam que ofertas via celular ou internet incentivam gastos por impulso, e 51% dizem ser difícil fechar as contas do mês sem usar cartão de crédito.

O levantamento mostra ainda fragilidade na organização das finanças pessoais. Apenas 44% dos brasileiros fazem um orçamento detalhado, enquanto 23% não realizam qualquer tipo de controle de gastos.

A ausência de reserva financeira é outro ponto crítico: 66% afirmam não ter nenhuma poupança. Entre os que possuem, 12% conseguiriam manter suas despesas por menos de três meses, e 10% por um período de três a seis meses em caso de perda de renda.

Metade da população (49%) diz se sentir mal ou muito mal em relação à situação financeira do país.