Finanças

Fundos de crédito privado sofrem saques e gestoras como BlackRock restringem resgates

Temores de falências de empresas afetadas por inteligência artificial geram apreensão entre investidores

Agência O Globo - 07/03/2026
Fundos de crédito privado sofrem saques e gestoras como BlackRock restringem resgates
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O cenário parecia promissor para o crédito privado quando a BlackRock Inc. desembolsou US$ 12 bilhões na aquisição da HPS Investment Partners, uma das maiores gestoras globais de investimentos alternativos, com forte atuação em crédito privado. A expectativa era oferecer a milhões de investidores de varejo retornos atrativos nesse segmento. No entanto, a confiança do mercado esfriou diante de novas apreensões.

Onda de saques e restrições

Oito meses após a aquisição, a BlackRock enfrenta uma onda de saques de clientes preocupados com possíveis falências de empresas potencialmente impactadas pela inteligência artificial. Em resposta, a gestora precisou restringir os resgates de um de seus maiores fundos de crédito privado, após um aumento expressivo nos pedidos, evidenciando a ansiedade dos investidores em relação ao setor, avaliado em US$ 1,8 trilhão.

O HPS Corporate Lending Fund, com US$ 26 bilhões em ativos, comunicou na sexta-feira que os acionistas solicitaram o resgate de 9,3% das ações. A administração, porém, limitou os resgates a 5%. Embora o valor total das ações fosse de cerca de US$ 1,2 bilhão, segundo cálculos da Bloomberg, os investidores receberão aproximadamente US$ 620 milhões, referentes ao saldo do fundo no fim do ano.

Esse movimento é o exemplo mais marcante de restrição de resgates entre grandes fundos de crédito privado desde o final de 2023, quando falências de grande repercussão aumentaram as preocupações sobre os padrões de empréstimo.

Gestão de liquidez e impacto no mercado

A BlackRock afirmou que a limitação segue sua política de gestão de liquidez para o principal produto de crédito direto ao consumidor, o HLEND, e que essa característica é “fundamental” no tipo de investimento realizado.

“Sem isso, haveria uma incompatibilidade estrutural entre o capital dos investidores e a duração esperada dos empréstimos de crédito privado nos quais a HLEND investe”, declarou a empresa.

As ações da BlackRock chegaram a cair 8,3% ontem. Outras gestoras de ativos alternativos, como KKR & Co. e Ares Management Corp., também registraram quedas, marcando o pior início de ano em uma década para o setor.

De modo geral, fundos de crédito privado se preparam para uma nova onda de pedidos de resgate, diante das preocupações sobre as práticas de empréstimo e a exposição a empresas vulneráveis à inteligência artificial.

Com os pedidos de resgate ultrapassando os limites de 5%, empresas como a BlackRock enfrentam dilemas sobre a oferta de liquidez aos clientes, segundo análise de Glenn Schorr, da Evercore ISI.

“A decisão da HPS de manter o limite em 5% é correta, pois preserva a integridade dos veículos não negociados em bolsa, protege o fundo de ser forçado a vender ativos e evita alavancagem adicional”, escreveu Schorr.