Finanças
Petrobras evitará passar volatilidade do petróleo a consumidor, diz presidente da estatal
Magda Chambriard lembrou porém que, se a alta do barril se mostrar consistente, exigirá respostas mais rápidas
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse nesta sexta-feira (dia 6) que o objetivo é evitar o repasse da volatilidade de preços do mercado internacional ao consumidor brasileiro. O petróleo chegou a US$ 90 por barril nesta sexta, tornando-se um dos principais temas questionados por analistas durante a conferência de resultados financeiros de 2025.
Na quinta-feira, a Petrobras anunciou lucro líquido de R$ 110,129 bilhões referente ao exercício do ano passado. O número representa uma alta de 200% em relação ao ano anterior.
— Sem dúvida, estamos vivendo um momento de alta instabilidade geopolítica no qual nossa preocupação é deixar a empresa preparada para qualquer cenário que ocorra no preço do petróleo. Se for US$ 85 ou US$ 55 temos que estar preparados. Começamos o ano passado com o petróleo superior a US$ 80 e terminamos com menos de US$ 60, chegando a US$ 59. E a companhia entregou seus resultados e mostrou ser resiliente o suficiente para enfrentar essa variação.
Magda lembrou que, neste começo de ano, as variações estão exacerbadas com a guerra no Irã.
— Nossa política segue sólida. Observamos as paridades internacionais de petróleo sem repassar as volatilidades para o mercado interno. No ano passado, entregamos um ótimo resultado em relação a preços. Tenho recebido esta semana muitas perguntas em relação a isso. Vale a mesma coisa para quando cai e sobe. Continuamos importando e exportando o que precisamos.
Ela completou:
— Nossas refinarias continuam com sua capacidade de processamento crescendo. E nosso caixa continua objeto da nossa atenção. E queremos continuar a resiliência da companhia com redução de custo. Hoje estamos falando em US$ 85, há alguns dias falamos em US$ 55. E há quem fale em US$ 55 para o ano que vem. Estamos olhando todas as variáveis e condições, garantindo que a empresa esteja absolutamente preparada para enfrentar quaisquer desses cenários que se apresentem ao longo de 2026 e 2027.
'Respostas mais rápidas'
Porém, Magda, ao responder a outro questionamento de um dos analistas, disse que, se a alta do petróleo for consistente, vai “exigir respostas mais rápidas”.
— Neste momento a gente está se perguntando até que momento essa cotação vai continuar. E essa pergunta ainda não está respondida. Se essa volatilidade for grande e a subida for grande assim, ela vai exigir respostas mais rápidas se a subida fosse mais lenta. Neste momento, não temos certeza dessa premissa.
Em coletiva de imprensa, durante a tarde, Magda disse que não considera repasse de preços.
— Observamos a paridade internacional, evitamos repasse de volatilidade e garantimos o nosso market share. A volatilidade no mercado internacional é fruto da guerra, que tem muitos poucos dias. A política de repasses nevosos da variação do preço do petróleo para cima é coisa do passado. Gerou muita confusão, insegurança e beneficiou grandes importadores.
Segundo Claudio Romeo Schlosser, diretor Executivo de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, a companhia ficou de dois a três dias sem negociação de petróleo com o início da guerra no Irã.
— Tem 146 embarcações meio trapeadas lá (na região do conflito). Os mercados que a gente abastece estão fora da região do conflito, como Índia, China e Europa. Há uma valorização e posicionamento para a companhia. Há margem maior. Quando a gente compara o frete, a Petrobras tem uma posição privilegiada. Na exportação de petróleo, temos 30% do frete com contrato de longo prazo. Na média do mercado não chega a 10%.
O diretor lembrou que a política de preços da empresa foi criada para lidar com momentos de volatilidade.
— A estratégia comercial da Petrobras foi criada para momentos como esse de volatilidade. Ela foi criada para isso. A estratégia comercial dá essa robustez na condição de seus negócios. Em derivados, a Petrobras não encontra dificuldade em cumprir o planejamento dela. As importações estão conforme o planejamento. Conversamos com o mercado. Tem uma importação relevante sendo feita por importadores. E certamente a visão de longo prazo está bem coberta e o curto prazo é foto a foto. Cada dia é o seu dia. E vamos monitorando e fazendo análises.
Diesel há 300 dias sem reajuste
Schlosser lembrou ainda que o tempo é o fator principal para reajustes:
— O diesel está há 300 dias sem reajuste. E apesar de um ambiente de conflitos no mundo, permanecemos nessa situação. Dada essa volatilidade, o fator preponderante é a questão tempo. Esse é o fator mais relevante no momento.
Acompanhamento diário
Ele explicou que o acompanhamento dos preços é feito de forma diária por diferentes áreas com base na variação do petróleo, do dólar e derivados que compõe o custo alternativo do cliente . Isso gera relatórios, explicou ele.
— E levamos isso para a diretoria executiva, onde é analisado o cenário. Na semana passada, levamos isso para a diretoria. E o conselho também fica ciente.
Mar Vermelho
Schlosser lembrou que importa óleo leve da Árabia Saudita para a produção de lubrificantes.
— E temos conseguido fazer a logística pelo Mar Vermelho. Arábia Saudita tem duas logísticas. A preponderante é pelo Estreito de Ormuz. E há alternativas pelo Mar Vermelho. E temos garantia de fornecimento. Estamos tranquilos com essas operações de óleo leve com a Arábia Saudita, pois temos contrato de longo prazo.
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