Finanças

Guerra no Irã: com escassez de petróleo, países asiáticos reduzem expediente do governo e já cogitam home office mandatório

Na Filipinas, semana terá quatro dias em órgãos governamentais. Coreia do Sul adota protocolos de emergência para garantir fornecimento

Agência O Globo - 06/03/2026
Guerra no Irã: com escassez de petróleo, países asiáticos reduzem expediente do governo e já cogitam home office mandatório
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Com as perguntas no Oriente Médio instruções para cima dos custos globais do petróleo e do gás e a consequente escassez de combustível, os países asiáticos já estão adotando medidas para economizar energia e garantir o fornecimento do produto.

No Brasil:

Na bomba:

O presidente das, Ferdinand Marcos Jr., anunciou que os escritórios do governo passarão a operar com semana de trabalho de quatro dias a partir de segunda-feira, na tentativa de o país do Sudeste Asiático gastar menos energia.

Em uma mensagem de vídeo divulgada nesta sexta-feira, Marcos disse que uma semana de trabalho mais curta será temporária e não se aplicará a quem presta serviços de emergência, incluindo policiais, bombeiros e outras agências que fornecem serviços essenciais ao público.

Ele também tentou que todas as agências governamentais reduzissem o uso de eletricidade e os gastos com combustível entre 10% e 20%.

—Todas as viagens e atividades não essenciais do governo também estão temporariamente proibidas, como viagens de estudo, atividades de integração de equipes ou reuniões que podem ser realizadas on-line — disse Marcos.

A nação do Sudeste Asiático, que tem hoje 117 milhões de habitantes, importa quase todo o petróleo que consome, e a guerra no Irã pode trazer a inflação, que já atingiu o nível mais alto em 13 meses em fevereiro.

— Meus compatriotas, não sabemos quando o caos no Oriente Médio terminará. Somos vítimas de uma guerra que não escolhemos nem desejamos. Não podemos controlar a guerra, mas podemos controlar como proteger o povo filipino — acrescentou o presidente.

Em 'nova fase' da guerra:

As Filipinas são amplamente vistas por economistas como um dos países mais vulneráveis ​​da região Ásia-Pacífico aos riscos de inflação e desaceleração do crescimento provocados pelo conflito no Oriente Médio.

O arquipélago “tende a sofrer um impacto inflacionário maior porque os preços do combustível no varejo são mais certos pelo mercado e os subsídios são limitados”, disse Deepali Bhargava, chefe regional de pesquisa do ING Bank NV.

A Câmara de Comércio e Indústria das Filipinas alertou que uma semana de trabalho de quatro dias poderia afetar significativamente a indústria, um dos pilares da economia.

— Operamos com recursos limitados e reduzimos ainda mais o número de dias de trabalho pode afetar compromissos — disse Perry Ferrer, presidente da entidade, antes do anúncio de Marcos desta sexta-feira.

canhoto:

No início desta semana, o governo Marcos planejou que os escritórios públicos ajustassem o ar-condicionado para não menos de 24°C (75°F) e adotassem arranjos de trabalho flexíveis para ajudar a economizar combustível. O presidente filipino reiterou nesta sexta-feira que está buscando autorização emergencial do Congresso para reduzir impostos sobre produtos petrolíferos.

Outras autoridades também anunciaram medidas de economia de energia. A vice-presidente Sara Duterte pediu aos seus apoiadores que evitassem organizar carreatas ou comboios de veículos para protestarem contra Marcos, seu rival político. O prefeito de Manila determinou que o governo da cidade reduza o consumo de combustível realizando reuniões on-line, desligando a energia às 17h e proibindo viagens não essenciais.

Algumas agências governamentais afirmaram que fornecerão subsídios de combustível para pescadores, agricultores e motoristas de transporte público. Também existe um aplicativo que permite aos cidadãos fixar antecipadamente os preços da energia.

Tim Gonzales, um profissional de marketing on-line de 30 anos que possui um SUV para sua família de quatro pessoas, disse que usou o aplicativo para comprar cerca de 300 litros de diesel.

— Posso comprar litros de combustível virtual antecipadamente e pagar o preço atual — explicou Gonzales, que usa o aplicativo desde 2022 e criou uma comunidade no Facebook para ajudar seus mais de 16 mil membros a enfrentar os preços elevados:

— Esses litros vão nos sustentar por alguns meses.

Cálculo de lance:

Outros lidando com a situação de maneiras diferentes. Rowena Brucal administra uma cantina escolar no distrito financeiro de Makati. O estabelecimento consome cerca de dois botijões de gás liquefeito de petróleo em quatro dias. Embora ela não possa fazer nada sobre a alta dos preços, começou a economizar reduzindo a quantidade de comida em cada porção.

—Também apagamos as luzes quando não há clientes, porque reduzir o consumo é o caminho — disse ela.

Outros países adotam medidas emergenciais

Taiwan

Maior fabricante mundial de chips avançados de computador, Taiwan depende de importação para mais de 90% de suas fontes de energia fóssil. Na quinta-feira, a Taipé informou que seus estoques de gás natural liquefeito (GNL) devem durar até o fim do mês e que espera garantir suprimentos suficientes para abril. O governo pretende antecipar carregamentos de GNL vindos dos Estados Unidos e da Austrália, além de aumentar as compras no mercado à vista (spot).

Japão

O Japão, a quarta maior economia do mundo e um importante produtor de bens de alta tecnologia, está criando um escritório especial do governo em Tóquio para administrar questões relacionadas ao abastecimento de energia.

Coreia do Sul

Já o governo da Coreia do Sul afirmou que ativará protocolos emergenciais de energia para lidar com interrupções no fornecimento. Essas medidas incluem ampliar o financiamento para a compra de petróleo bruto de outras regiões, por meio de empréstimos e garantias de crédito, e possivelmente também permitir a liberação de reservas estratégicas.

A Coreia do Sul importa cerca de 70% do seu petróleo bruto e 20% do seu GNL do Oriente Médio, quase tudo transportado pelo Estreito de Ormuz, que se encontra fechado.

Paquistão

O Paquistão, que faz fronteira com o Irã, também depende de embarques que passam pelo Estreito de Ormuz para a maior parte de suas de petróleo e gás. As autoridades afirmam ter estoques de gasolina e diesel suficientes para cerca de um mês, mas apenas 10 dias de petróleo bruto.

Entre as medidas de economia consideradas são obrigatórios o trabalho remoto e aulas universitárias on-line, além de reduzir o fornecimento de gás para fábricas de fertilizantes.