Finanças
'Complexidade' do teto e 'cipoal' de verbas marcam primeira reunião sobre penduricalhos
Representantes dos Três Poderes debatem tema após decisões recentes do STF
A complexidade do teto de remunerações do funcionalismo público e as tensões em torno do tema foram destaques na primeira reunião da comissão técnica criada para discutir os chamados penduricalhos, realizada no Supremo Tribunal Federal (STF). Durante o encontro, membros do grupo destacaram a “defasagem” dos subsídios e relembraram decisões anteriores do STF que tangenciaram o assunto. Segundo avaliação dos presentes, o modelo do teto nunca foi "efetivamente consolidado".
O principal encaminhamento da reunião foi a necessidade de levantar informações planejadas sobre os pagamentos pendentes nos diferentes estados e nas diversas carreiras jurídicas, com o objetivo de formar um quadro geral e, a partir daí, discutir uma possível regra de transição. Um dos participantes classificou as diferenças nos pagamentos como um verdadeiro "cipoal".
Em determinado momento, um membro da comissão citou mais de uma dezena de decisões do STF que abordaram o teto do funcionalismo de forma indireta, sem que o tema fosse detalhado em profundidade. Um dos casos mais emblemáticos é o do auxílio-moradia para magistrados, no qual o relator, ministro Luiz Fux, revogou liminares em 2018 após uma “recomposição parcial” dos subsídios da magistratura.
Entre os pontos de consenso, membros da comissão afirmaram que o teto remuneratório apresenta "questões artificiais" que geram "pontos de tensão". Entidades representativas já foram planejadas, em manifestações aos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, relatores de ações sobre penduricalhos, a defasagem dos subsídios do Judiciário.
Foi apresentado um gráfico comparando a evolução histórica do subsídio de um ministro do STF desde 2006, atualizado pelo IPCA. Segundo o levantamento, se o salário fixado em 2005 foi corrigido pela inflação, atingiu R$ 71.780,43.
A definição do salário dos ministros do STF como teto do funcionalismo público ocorreu em 2003. Posteriormente, foi prevista que verbas indenizatórias — os chamados penduricalhos — não seriam incluídas no cálculo do teto, podendo ser pagas à parte.
As reuniões da comissão ocorrerão na sede do STF até 20 de março, sempre às quartas e sextas-feiras, às 10h. Ao final dos trabalhos, será elaborada uma nota técnica com a síntese das discussões e possíveis propostas sobre o teto remuneratório.
A iniciativa surge após decisões recentes do Supremo que suspenderam pagamentos acima do teto constitucional sem respaldo legal. As liminares, concedidas pelos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, reacenderam o debate sobre os penduricalhos e mobilizaram o STF para buscar uma solução institucional em diálogo com os demais Poderes.
De caráter consultivo, a comissão não realizará votações internas. Consensos e divergências serão registrados em ata, e o documento final será encaminhado às presidências do STF, do Senado, da Câmara dos Deputados e da Casa Civil da Presidência da República.
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