Finanças

Cúpula da Câmara avalia que prisão de Vorcaro aumenta pressão por aprovação de projeto sobre bancos em crise

Proposta amplia instrumentos do Banco Central para lidar com instituições financeiras em dificuldade

Agência O Globo - 04/03/2026
Cúpula da Câmara avalia que prisão de Vorcaro aumenta pressão por aprovação de projeto sobre bancos em crise
Cúpula da Câmara avalia que prisão de Vorcaro aumenta pressão por aprovação de projeto sobre bancos em crise - Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, elevou a pressão no Congresso pela aprovação do projeto que cria um novo regime de resolução bancária no país e amplia os instrumentos de atuação do Banco Central em situações de crise no sistema financeiro. Em meio à repercussão do caso, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou aos interlocutores que a prioridade da pauta desta quarta-feira será a votação da PEC da Segurança, o que deverá adiar a análise da proposta sobre bancos em dificuldade.

Nos bastidores, os parlamentares passaram a defender mais tempo para discutir possíveis ajustes no texto, especialmente para se tratar de regras para lidar com instituições financeiras em crise. A avaliação é que a operação que atingiu Vorcaro aumentou a sensibilidade política do tema e reforçou a necessidade de examinar com mais cautela os pontos do projeto antes da votação.

A proposta ganhou destaque nas últimas semanas após a crise envolvendo o Banco Master, que expôs desafios na condução de intervenções e liquidações de instituições financeiras e reacendeu o debate sobre a necessidade de regras mais claras para atuação das autoridades em situações de instabilidade no sistema bancário.

Relatado pelo deputado Marcelo Queiroz (PSDB-RJ), o projeto prevê mecanismos para permitir intervenções mais rápidas em bancos em dificuldade, com o objetivo de reduzir riscos de contágio para o sistema financeiro e evitar impactos mais amplos na economia.

A criação de instrumentos para reorganização de instituições em crise, absorção de prejuízos por acionistas e credores e adoção de soluções de mercado antes do eventual uso de recursos públicos.

Embora o projeto esteja em tramitação no Congresso desde 2019, parlamentares e membros da equipe econômica passaram a tratar o tema como prioritário após a crise envolvendo o Banco Master.

Entre os pontos mais sensíveis da proposta estão as regras para eventual uso de recursos públicos em operações de socorro a instituições financeiras. Os deputados levantaram dúvidas sobre a retirada da exigência de lei específica do Congresso para autorizar transportes da União — regra prevista atualmente na Lei de Responsabilidade Fiscal — e defendem maior participação do Legislativo em decisões desse tipo.

Outro foco de questionamento envolve o grau de autonomia concedido ao Banco Central para conduzir processos de resolução, incluindo a possibilidade de perdas importantes para acionistas e determinados credores antes de qualquer mobilização de recursos públicos. Os parlamentares discutem ainda como ficaria a ordem de absorção de prejuízos e os impactos potenciais sobre os investidores e sobre o próprio sistema financeiro.

Nos bastidores, o relator se reuniu com deputados e representantes do Banco Central para discutir ajustes pontuais no texto antes da votação. Ao GLOBO, Queiroz afirmou que recebeu sugestões de parlamentares, mas indicou que mudanças devem ser limitadas.

— A cerne da proposta continuará o mesmo — afirmou.

Com a prioridade dada à PEC da Segurança na pauta desta quarta-feira, a tendência é que a análise do projeto de resolução bancária fique para a próxima semana. No Senado, a expectativa é de que o texto seja votado em seguida, encerrando brevemente a tramitação.