Finanças
Prisão de Daniel Vorcaro revela indícios de organização criminosa no Banco Master
MPF aponta estrutura criminosa desde a década passada; defesa de Vorcaro nega irregularidades
A recente prisão do ex-banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, realizada durante a terceira fase da Operação Compliance Zero nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal (PF), voltou as operações a destacar um dos aspectos mais delicados das investigações sobre o Banco Master: a suspeita de que as sob apuração seriam resultado de um planejamento de longo prazo, e não de falhas pontuais.
Autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a ação investiga uma série de preconceitos que abrange desde irregularidades financeiras até possíveis vínculos com o crime organizado.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo, elementos reunidos pela Polícia Federal em investigação realizada em janeiro deste ano sugerem a existência de uma organização criminosa estruturada desde a década passada. Para os procuradores, o histórico de apurações anteriores reforça a tese de uma "escalada de atividades criminosas", afastando as hipóteses de fatos isolados.
“Nesse contexto, o histórico juntado pela Polícia Federal [...] serve como oposição da existência do crime de organização criminosa estruturada desde a década passada”, afirmaram integrantes do MPF em manifestação constante nos autos.
Esse entendimento também foi citado na decisão do ministro Dias Toffoli, do STF, em janeiro, que autorizou mandados de busca e apreensão contra Vorcaro e outros investigados. O caso está sob seu relato no âmbito da Operação Compliance Zero.
Na decisão, Toffoli destacou que as investigações vão além dos fatos inicialmente apurados, mencionando um “aparente aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização”.
A Procuradoria defendeu ainda que o caso permaneçasse na Justiça Federal de São Paulo, em razão da complexidade das operações financeiras envolvidas.
Risco sis têm têm
Nas etapas anteriores, a Polícia Federal já havia apontado possível risco sistêmico ao setor financeiro. A investigação examina empréstimos estruturados, movimentações consideradas atípicas e operações com fundos de investimento que apresentaram resultados extraordinários em curto prazo.
O investigador também analisou transferências suspeitas, inclusive envolvendo familiares do controlador do banco.
Uma busca clara se houve uso reiterado de mecanismos financeiros para sustentar posições de crédito e capitalização da instituição diante do crescimento acelerado dos últimos anos.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o Banco Master “não realizou operações destinadas a beneficiários terceiros ou familiares de seu controlador”. Segundo os advogados, até a liquidação extrajudicial, Vorcaro teria feito apoios sucessivos para reforçar a posição financeira do banco e proteger credores e investidores.
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