Finanças

Caso Master: entenda a Operação Compliance Zero, investigação da PF que levou à prisão de Daniel Vorcaro

Apuração já teve três fases e mira supostas fraudes bilionárias no sistema financeiro nacional

Agência O Globo - 04/03/2026
Caso Master: entenda a Operação Compliance Zero, investigação da PF que levou à prisão de Daniel Vorcaro
Caso Master: entenda a Operação Compliance Zero, investigação da PF que levou à prisão de Daniel Vorcaro - Foto: Reprodução / Internet

A Polícia Federal conduz a Operação Compliance Zero, uma investigação de grande porte que apura um suposto esquema bilionário de fraudes envolvendo instituições do sistema financeiro e estruturas do mercado de capitais.

Até o momento, a operação já passou por três fases, cada uma com foco em diferentes frentes do caso. As apurações tiveram início em 2024, a partir de solicitação do Ministério Público Federal (MPF), e têm como principal alvo operações relacionadas ao Banco Master, sob controle do banqueiro Daniel Vorcaro.

Entre os crimes investigados estão: gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Primeira fase: investigação sobre carteiras de crédito

Deflagrada em novembro de 2025, a primeira fase concentrou-se na suspeita de emissão e negociação de carteiras de crédito sem lastro real.

De acordo com a PF, essas carteiras teriam sido vendidas para outras instituições financeiras como se fossem ativos legítimos, inflando artificialmente o valor das operações e ocultando prejuízos.

Nesta etapa, Daniel Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para embarcar para Dubai. Posteriormente, ele foi liberado por decisão judicial.

Durante as buscas, a Polícia Federal apreendeu bens de alto valor, incluindo um jatinho avaliado em cerca de R$ 200 milhões.

Segunda fase: investigação sobre fundos ligados à Reag

Em janeiro de 2026, a segunda fase ampliou o escopo para fundos de investimento supostamente utilizados para movimentar recursos e ocultar prejuízos.

Segundo os investigadores, esses fundos estariam ligados à gestora Reag Investimentos e teriam sido usados para adquirir ativos sem valor de mercado.

A suspeita é que essa estrutura financeira servia para mascarar rombos nas contas e conferir aparência de legalidade a operações irregulares.

Nessa fase, a PF cumpriu 42 mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio de bens que ultrapassam R$ 5,7 bilhões.

Terceira fase: novas prisões e bloqueio bilionário

A terceira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada nesta quarta-feira, trazendo novas medidas contra os investigados.

Nesta etapa, Daniel Vorcaro foi novamente preso, desta vez por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que assumiu a relatoria do caso.

Os agentes cumprem quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais.

A decisão judicial também determinou o afastamento de investigados de cargos públicos e o bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos ligados ao grupo investigado.

Nesta fase, as investigações incluem ainda suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.