Finanças

Banco Master: André Mendonça, do STF, determina afastamento de dois servidores do Banco Central

Funcionários eram lotados na área de supervisão bancária

Agência O Globo - 04/03/2026
Banco Master: André Mendonça, do STF, determina afastamento de dois servidores do Banco Central
Banco Master: André Mendonça, do STF, determina afastamento de dois servidores do Banco Central

A terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal (PF), foi investigada não apenas na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, mas também no afastamento de dois servidores do Banco Central (BC), por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.

Foram afastados Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza , que chefiavam o Departamento de Supervisão Bancária (Desup) e já estavam fora de suas cargas.

Ambos também são alvo de investigação interna para apurar responsabilidades no escândalo envolvendo o Banco Master. A sindicância foi instaurada por decisão de Gabriel Galípolo, presidente da autoridade monetária, no fim do ano passado.

Quem são os servidores

Paulo Sérgio Neves de Souza autorizou a aquisição do Banco Máxima por Daniel Vorcaro, instituição que passou a se chamar Master. Mais recentemente, atuou como chefe-adjunto do Desup, acompanhando a solidez e a estabilidade do sistema financeiro.

Belline Santana foi chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC e chegou a ser cogitada para assumir a diretoria de Fiscalização, atualmente ocupada por Aílton de Aquino Santos. Belline assinou diversos ofícios e despachos do Banco Central enviados ao Ministério Público Federal referentes ao Master.

Um desses documentos foi citado pela defesa de Vorcaro na Justiça. Em ofício ao Ministério Público Federal, Belline relata que uma operação de suspeita de compra de carteiras fictícias de crédito pelo Master, no final de 2024, foi desfeita no início de 2025. Em outro trecho, afirma que o BC não realiza irregularidades em transações de crédito consignado originadas pelo próprio Master.

O

O escândalo do Banco Master veio à tona em 18 de novembro de 2025, quando o Banco Central decidiu liquidar a instituição, encerrar suas atividades, afastar os administradores e bloquear o patrimônio para pagamento de credores. No mesmo dia, a Polícia Federal deflagrou operação para apurar suspeitas de fraudes em uma venda de carteiras de crédito, com acusações de irregularidade no valor de R$ 12,2 bilhões, envolvendo o BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal.

Outra investigação da PF, em parceria com o BC, designada por irregularidades na relação da Master com a gestora de recursos Reag DTVM, liquidada em 15 de janeiro deste ano. Segundo as apurações, a instituição de Daniel Vorcaro fez empréstimos a empresas que repassavam os recursos para inflar o resultado de fundos da Reag. Após uma série de transações-relâmpago, o dinheiro retornaria ao próprio Master, em aplicações de Certificados de Depósito Bancário (CDBs).