Finanças
Caso Master: quem é o banqueiro Daniel Vorcaro preso hoje pela Polícia Federal
Empresário construiu trajetória marcada por aquisições bilionárias, exposição pública e investimentos no futebol
O dono do Banco Master, Daniel Bueno Vorcaro, de 42 anos, foi preso pela Polícia Federal nesta quarta-feira (dia 4), em São Paulo, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF). A ação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apura suspeitas de irregularidades na gestão do banco.
Vorcaro chegou a ser preso preventivamente no dia 17 de novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, quando tentou embarcar para Dubai, mas foi solto no dia 29 de novembro do mesmo ano.
Apontado como um “outsider” no mercado financeiro de Faria Lima, Vorcaro construiu sua imagem pública associada à exposição e às projeções de alto poder econômico, em contraste com o perfil mais discreto e atraente dos banqueiros tradicionais.
Festa
Um dos episódios que evidenciam essa postura foi a festa de debutante de sua filha, que ganhou repercussão nas redes sociais, conto com apresentação do DJ Alok e teve custo estimado em R$ 15 milhões.
O mesmo padrão se repete em seus investimentos imobiliários. Vorcaro é cotista do fundo proprietário do hotel Fasano Itaim, em São Paulo, e esteve envolvido em uma das maiores transações residenciais já registradas no país, ao adquirir uma mansão em Trancoso, no litoral sul da Bahia, por cerca de R$ 280 milhões.
Esporte
No esporte, o banqueiro ampliou sua presença ao investir R$ 200 milhões no Clube Atlético Mineiro, tornando-se um dos principais acionistas da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube.
Essa trajetória de crescimento e o volume de recursos envolvidos, no entanto, passaram a ser alvo de purificação: a Polícia Federal investiga se a origem do capital tem ligação com o crime organizado, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Êxodo
A família Vorcaro tem forte no setor de construção. O pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, fundou a Multipar. Ainda assim, Daniel Vorcaro sempre gostou de enfatizar que não faz parte da nata mineira, embora tenha treinado na Fundação Torino, um colégio de elite. Seus avós eram funcionários públicos, sem grandes posses.
O jovem chegou a ganhar uma bolsa de estudos para fazer faculdade na Itália, mas preferiu cursar economia no Ibmec de Belo Horizonte, onde fez também um MBA em Finanças. Tocava violão e prazer de praticar esportes.
A entrada de Daniel Vorcaro no setor bancário ocorreu em 2016, segundo o Valor Econômico, quando o Banco Máxima, de Saul Sabbá, enfrentou dificuldades e foi oferecido a ele, com quem já fazia negócios em fundos imobiliários. No ano seguinte, assumiu o controle da instituição.
Ativos à Venda
Em 2021, Vorcaro trocou o nome do banco para Master e, ao longo dos anos seguintes, fez uma série de esportes bilionários nele. Também fez uma série de aquisições, como a segurança Kver, o banco Voiter (antigo Indusval), Vipal, Banif Brasil e o banco digital Will Bank.
Este último foi adquirido em 2024, quando tinha mais de 6 milhões de clientes, especialmente no Nordeste do Brasil. A estratégia do Master era ampliar a base de clientes no país.
Nos últimos meses, porém, quando a crise no Mestre se tornou evidente, Vorcaro começou a se desfazer de alguns ativos do grupo. Está procurando um comprador no momento para o Will Bank, operação que era vista como essencial para equilibrar a situação do Master, pelo potencial do valor da compra.
O banco BTG comprou uma fatia em vários ativos do grupo. Passou a controlar a Veste, dona de marcas de moda como Le Lis Blanc, John John e Dudalina em agosto passado.
Também em agosto, o BTG subiu de 19,99% para 47,5% sua participação na Metalfrio, empresa brasileira que é uma das líderes globais na fabricação de geladeiras comerciais. O aumento de participação ocorreu por meio da venda da fatia detida por Daniel Vorcaro na empresa, apurou a coluna Capital na época.
Após se divorciar da primeira esposa, o banqueiro passou a namorar a influenciadora Martha Graeff. Desde então, suas fotos curtindo o verão europeu, mesmo com seu banco já em dificuldades e tendo pegado um empréstimo emergencial de quase R$ 4 bilhões com o FGC, não pegaram bem aos olhos públicos.
Na seara política, o banqueiro mantém ligações pessoais com o senador Ciro Nogueira, presidente do PP, e com o presidente do União Brasil, Antonio Rueda.
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